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Resiliência, a palavra da moda, passou da física para o jargão socioambiental

Palavra da moda no jargão socioambiental, “resiliência” tem como origem a física. Refere-se à propriedade de alguns materiais de acumular energia quando submetidos a estresse e forças externas, sem ocorrer ruptura. A psicologia incorporou o termo para explicar a capacidade de um indivíduo de lidar com obstáculos, pressões e situações adversas, a ponto de não entrar em crise ou surto. Na biologia, a palavra retrata o potencial de um ecossistema de retornar à condição original após perturbações ambientais.

Um significado mais abrangente, com implicações econômicas e sociais, foi alcançado no começo deste século quando a ONU adotou o conceito em seus relatórios sobre clima. Além da adaptação a mudanças, a resiliência está relacionada “ao grau de organização social capaz de aprender com desastres passados e se proteger contra riscos futuros”, define a International Strategy for Disaster Reduction. A organização contabiliza mais de 200 milhões de habitantes afetados por ano no mundo.

Os esforços incluem identificação e gestão de risco, educação, medidas preventivas e reconstrução após desastres. Se por um lado o conceito de resiliência embute o aspecto negativo de resistir a catástrofes e superar adversidades, por outro se abre uma janela de oportunidades a partir da aprendizagem e das mudanças.

A resiliência vai além da superação de acidentes naturais. Inclui, por exemplo, a adaptação a crises alimentares e a busca por soluções econômicas e sociais na convivência com a floresta sem destruí-la. A terminologia ganha força nos países de economia emergente que almejam aliar aumento do PIB e crescimento populacional com a conservação dos recursos naturais. Segundo a ONU, gerenciar desastres não é apenas uma questão humanitária e assistencialista, mas de desenvolvimento sustentável.

Para Thaís Corral, idealizadora da expedição de especialistas em desastres a Friburgo e coordenadora da REDEH, “a resiliência vai além de simplesmente conviver com o perigo de catástrofes; passa a ser um novo campo para a criatividade e o empreendedorismo, um espaço de trabalho para que as coisas aconteçam diferente”. Ela completa: “a maior parte dos desafios ambientais do século XXI não é técnica, mas adaptativa”.

Fonte: Valor Econômico

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