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BNDES concentra linha para boas ideias

Maior agente de fomento do governo federal, o BNDES abraçou a causa da inovação: afinal, boas ideias, se viabilizadas, tornam as empresas mais competitivas. Para sustentar a bandeira que empunhou – num projeto vigorosamente defendido pelo presidente da instituição, Luciano Coutinho -, o banco acaba de reformular suas linhas de financiamento à inovação. Rifou as três linhas existentes até então (Capital Inovador, Inovação Tecnológica e Inovação Produção) e lançou a Apoio à Inovação.

Na prática, oferecer a liberação de crédito em apenas uma linha serve para concentrar o recebimento de propostas e estimular as empresas que se candidatam a traçar um plano mais abrangente na área de inovação. No formato anterior, que funcionou até junho, os recursos eram liberados para pedaços de projetos – ora apenas para pesquisa, ora apenas para um produto específico, por exemplo. Pode parecer mais complexo, já que as empresas necessitam apresentar ao banco uma proposta mais ampla e alinhada com suas estratégias comerciais. Mas o lado bom é que as taxas de juros caíram e foram fixadas em 4% ao ano. Antes, oscilavam entre 4% e 6,5% ao ano.

“Desde o começo do ano, o banco tem trabalhado num esforço amplo e ambicioso para dar suporte ao aumento da competitividade por meio de investimentos em inovação, inclusive tentando diminuir os juros e os prazos para pagamento”, diz Helena Tenório Veiga de Almeida, chefe do departamento de inovação do BNDES. “Não basta olhar só o projeto, a inovação tem que estar inserida no conceito estratégico da empresa”, reforça.

Na linha Apoio à Inovação, o aporte mínimo soma R$ 1 milhão e o prazo de pagamento vai até 12 anos. Cada projeto é submetido a uma avaliação separadamente, mas o BNDES pode bancar até 90% do valor. No menu, pode-se financiar de tudo um pouco: custos e despesas diretas de itens como aquisição de máquinas e equipamentos novos; importação de equipamentos novos sem similar nacional; despesas de internalização de máquinas e equipamentos importados sem similar nacional; compra de material e de softwares; despesas com mão de obra ou para treinamento; participação em feiras e eventos no país e no exterior, e até mesmo despesa com custos regulatórios etc.

“Num período de maior incerteza econômica, os primeiros setores afetados são justamente os de pesquisa e desenvolvimento em inovação. Não queremos que haja postergações de projetos”, diz Helena. O presidente do banco, Luciano Coutinho, que é egresso da Secretaria de Ciência e Tecnologia, fez da inovação uma causa nobre. Para ele, inovação vai além do desenvolvimento de um produto inédito: linhas e processos produtivos mais criativos reduzem custos e fazem parte do que hoje se fala sobre inovação. Por isso, o banco tem um sortimento de programas voltados à inovação e não apenas a linha de crédito.

A meta do BNDES é desembolsar R$ 2,7 bilhões este ano em projetos de inovação. Nos primeiros sete meses, as liberações somaram R$ 830 milhões para um total de 422 operações – volume próximo ao obtido em todo o ano passado, de 453 operações. Em 2011, foram alocados R$ 1,653 bilhão e, em 2010, R$ 1,37 bilhão em 273 operações. Já a carteira de inovação do banco soma R$ 7,3 bilhões, entre operações contratadas, aprovadas, em análise, enquadradas e em consulta.

Os recursos liberados este ano foram para o cofre de algumas companhias conhecidas por inovar, criar algo diferente. Um dos destaques é a Natura, empresa que aposta em pesquisas, especialmente para descobrir matérias primas nacionais. Este ano, captou R$ 17,45 milhões para fazer estudos e desenvolver produtos para cabelo, corpo, incluindo sabonete. Outra empresa contemplada com financiamento do BNDES para área de inovação este ano foi a multinacional Dow do Brasil. Levantou R$ 21,2 milhões para modernizar seus laboratórios de desenvolvimento industrial.

Como a captação mínima da linha de crédito BNDES Apoio à Inovação soma R$ 1 milhão – valor considerado alto para pequenas e médias empresas -, o banco criou uma solução de valores inferiores. A solução veio com o Cartão Inova – uma linha de crédito rotativo e pré-aprovado, com limite de até R$ 1 milhão, liberados por banco emissor (Bradesco, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Banrisul e Itaú). Oferece prestações fixas, prazo de pagamento de três a 48 meses e taxa de juros, em agosto, de 0,91 % ao mês.

Este cartão empresarial distingue-se por fazer todas as transações pela internet através do Portal de Operações do Cartão BNDES. Não possui tarja magnética ou chip, inviabilizando operações com saque em caixas eletrônicos. Até porque, destina-se à aquisição de itens necessários às atividades produtivas das pequenas e médias empresas, como compra de máquinas e equipamentos, computadores, softwares, móveis comerciais, veículos utilitários e motocicletas para serviços de entrega. Desde 2009, pode-se adquirir materiais para serviços de pesquisa, desenvolvimento e inovação (P,D&I).

Para 2012, a meta do banco é alcançar R$ 11 bilhões em mais de 800 mil transações. No ano passado, foram R$ 7,6 bilhões em 540 mil operações. Desde o seu lançamento, em 2003, foram emitidos mais de 530 mil Cartões BNDES, totalizando R$ 28,6 bilhões em limite de crédito pré-aprovado. Se a porta de financiamento não for o BNDES, empresas de diferentes portes podem buscar crédito na Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), braço do Ministério da Ciência e Tecnologia e Inovação que, além de programas, tem três linhas de financiamento reembolsáveis e não-reembolsáveis.

A proposta de apoio da entidade vai da pesquisa básica, pesquisa aplicada e o desenvolvimento tecnológico de produtos, serviços e processos inovadores. Apoia, também, a incubação de empresas de base tecnológica, a implantação de parques tecnológicos, a estruturação e consolidação dos processos de pesquisa, o desenvolvimento e a inovação em empresas já estabelecidas e o desenvolvimento de mercados de capital de risco. No ano passado, liberou R$ 1,8 bilhão, acima do registrado em 2010 (R$ 1,3 bilhão).

Por: Chris Martinez
Fonte: Valor Econômico 

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