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UE dá sinal verde à reforma de quatro bancos espanhóis

Os órgãos reguladores da União Europeia deram sinal verde à reestruturação de quatro bancos espanhóis: BFA/Bankia, NCG Banco, Catalunya Banc e Banco de Valência. Para a Comissão Europeia, essas instituições devem se tornar “viáveis” no longo prazo graças aos planos, especialmente se as três instituições e seus acionistas contribuírem adequadamente com os custos desse processo.

Os quatro bancos juntos vão receber uma injeção de capital de €37 bilhões, dos quais o Bankia terá €17,94 bilhões. O Banco de Valência deixará de existir como instituição independente e será vendido e integrado ao CaixaBank.

O aval da comissão permitirá que os bancos obtenham funding do Mecanismo Europeu de Estabilidade (ESM, em inglês). “Nós também asseguramos que os bancos não usem mais do que o necessário dos recursos dos contribuintes para se reestruturar e não voltem para práticas insustentáveis de negócios. Restaurar um setor financeiro mais saudável e capaz de financiar a economia real é indispensável para a recuperação econômica na Espanha”, afirmou o comissário europeu para a área de concorrência, Joaquín Almunia. Em junho, a Espanha pediu uma linha de resgate da zona do euro de até € 100 bilhões para seus bancos.

A comissão acrescentou que BFA/Bankia, NCG Banco e Catalunya Banc devem registrar uma redução de mais de 60% em seu balanço na comparação entre 2010 até 2017. Os bancos vão mudar o foco de seu modelo de negócios para varejo em suas regiões principais, vão deixar de dar crédito para o setor imobiliário e limitar a presença em negócios no atacado.

O Bankia vai reduzir o número de funcionários em mais de 6 mil e fechar mais de 1 mil agências, assim como cortar € 50 bilhões em ativos, à medida que se reestrutura para ter foco em varejo.

O quarto maior banco da Espanha em ativos e o maior a receber ajuda no país também estimou que deve registrar prejuízo de €19 bilhões neste ano, de longe a perda mais acentuada na história bancária espanhola. A instituição espera, no entanto, retornar ao lucro a partir do ano que vem.

O Bankia deixará de emprestar para o setor imobiliário, terá presença limitada em negócios de atacado, concentrando-se em operações de varejo.

O presidente do Bankia, José Ignácio Goirigolzarri, disse que alguns dos cortes serão muito positivos porque vão gerar uma “limpeza” do banco, enquanto outros serão restritivos. “Mas eles são necessários para que o Bankia retorne aos lucros”, afirmou.

A maior parte da carteira proprietária do Bankia será transferida a uma estrutura de “bad bank” da Espanha. Além disso, o Bankia vai reduzir sua carteira de empréstimos e se desfazer gradualmente do portfólio de participações em companhias, o que inclui a seguradora Mapfre e o International Consolidated Airlines Group.

Para o Fundo Monetário Internacional (FMI), a Espanha apresentou “importantes progressos na reforma do sistema financeiro” do país e até o momento os prazos foram cumpridos. Os obstáculos mais desafiadores, no entanto, ainda estão por vir, principalmente os relacionados à implementação dos planos de reestruturação bancária.

O Fundo reconhece que os mercados financeiros tiveram melhora após o anúncio do programa de compra de ativos pelo Banco Central Europeu (BCE), mas destaca que a situação permanece difícil. “A economia [espanhola] está diante de possíveis retrocessos com a desalavancagem do setor privado, limitação de crédito, queda de preços de imóveis, consolidação fiscal e enfraquecimento da confiança”, afirmou em relatório.

Embora as perspectivas econômicas para o país estejam em linha com o cenário base utilizado no teste de estresse dos bancos espanhóis, são grandes os riscos para o atual quadro econômico. Entre eles, está a necessidade de a Espanha reparar os problemas no sistema financeiro e garantir fluxo de crédito suficiente para estimular a economia. Por outro lado, se houver um crescimento mais acelerado, junto com os ajustes do sistema financeiro, o programa de reformas do setor deve ter um efeito mais positivo.

Como já esperado pelo FMI, as condições financeiras dos bancos espanhóis continuaram se deteriorando ao longo de 2012, inclusive pela adversidade macroeconômica, que aumentou o risco de crédito, diminuiu as reservas e absorveu boa parte de lucros provisionados. A recente melhora do mercado, de acordo com o FMI, contribuiu positivamente com as condições de financiamento dos bancos mais fortes. Apesar disso, ainda existem ricos para a liquidez.

Considerando as expectativas de futuros prejuízos com empréstimos, o FMI diz que é essencial que haja rapidamente a recapitalização e reestruturação dos bancos mais fracos em acordos com parceiros internacionais.

Fonte: Valor Econômico

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