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Mudança climática está entre maiores riscos para a economia em 2014

O Fórum Econômico Mundial (FEM) publicou nesta sexta-feira (17) a nona edição do relatório Riscos Globais 2014 (Global Risks 2014), que aponta quais são os riscos mais prováveis que o mundo enfrentará nos próximos meses. Entre os problemas mais destacados estão a disparidade de renda, a falta de emprego e as mudanças climáticas e os extremos meteorológicos.

No total, o documento aponta 31 riscos diferentes que têm o potencial de causar um impacto significativo para os países e indústrias avaliadas. A pesquisa, realizada com 700 especialistas, agrupa os riscos em econômicos, ambientais, geopolíticos, sociais e tecnológicos, e os classifica de acordo com sua probabilidade e impacto potencial.

Os eventos climáticos extremos foram apontados como um dos riscos mais prováveis para o nosso planeta, podendo criar choques sistêmicos em escala global. O problema foi colocado como o risco mais provável na categoria ambiental, ficando em segundo lugar geral em probabilidade, perdendo apenas para a desigualdade econômica.

Outro risco de grande relevância foram as mudanças climáticas, classificadas como o quarto mais provável e o segundo maior em possíveis impactos. O relatório destaca a grande influência que as mudanças climáticas têm sobre os eventos climáticos extremos, e sugere que os dois juntos talvez sejam o maior risco enfrentado hoje, sob diversos aspectos.

O documento ressalta também outros riscos ambientais de relevância, como uma maior incidência de catástrofes naturais, uma maior ocorrência de desastres causados pelo ser humano e uma crise hídrica. Segundo a pesquisa, todos têm o potencial de causar um impacto cada vez maior à medida que o desenvolvimento mundial se acelera.

Para diminuir os riscos ambientais apontados, o relatório pede que governos, empresas e sociedade civil busquem as mais diversas formas de melhorar a mitigação, e a gestão dessas ameaças, com a assistência de seguros, resseguros e mercados de capital.

Outros grandes riscos indicados pelo documento são os conflitos sociais motivados pela disparidade de renda, os riscos econômicos da falta de emprego e de uma crise fiscal, e também as ameaças tecnológicas de ataques cibernéticos e um colapso na infraestrutura de informações essenciais.

“Riscos econômicos, sociais e ambientais dominam a lista dos riscos globais com os quais os respondentes [da pesquisa] estão mais preocupados, com a crise fiscal emergindo como a questão principal [em impacto]”, colocou o Fórum Econômico Mundial.

Um aspecto importante da pesquisa é que ela enfatiza a correlação entre todos esses riscos, mesmo os de categorias diferentes. Por exemplo, o relatório coloca a má governança global como um elemento central que está relacionado a todos os outros, desde uma crise financeira até as mudanças climáticas, passando pela corrupção e por crises alimentares.

“Cada risco considerado nesse relatório tem o potencial para o fracasso em escala global; contudo, é a sua natureza interconectada que torna as implicações negativas [desses riscos] tão pronunciada, já que juntos eles podem ter um efeito aumentado”, observou Jennifer Blanke, economista-chefe do FEM.

“É de vital importância que as partes interessadas trabalhem juntas para enfrentar e se adaptar à presença dos riscos globais em nosso mundo hoje”, continuou Blanke.

Outra questão importante do relatório é que ele considera para quem esses fatores são mais importantes. De acordo com o documento, por exemplo, mulheres e jovens abaixo dos 30 anos estão mais preocupados com as mudanças climáticas do que homens adultos e as gerações mais velhas.

“Respondentes do sexo feminino perceberam quase todos os riscos globais tanto como mais prováveis quanto como mais impactantes do que os do sexo masculino, especialmente na categoria ambiental”, aponta a pesquisa.

“Indivíduos mais jovens deram notas mais altas para o impacto de quase todos os riscos, particularmente os ambientais, tais como crises hídricas, maior incidência de catástrofes naturais, perda de biodiversidade e maior incidência de eventos climáticos extremos”, acrescenta.

O relatório indica ainda que um acordo juridicamente obrigatório para combater as mudanças climáticas pode não ser a melhor estratégia para resolver o problema, argumentando que tratados regionais e mais simples podem ser mais eficientes.

“Tal resposta intergovernamental e público-privada heterogênea e diversa ao risco das mudanças climáticas poderia oferecer mais resiliência e flexibilidade ao desafio dinâmico das mudanças climáticas do que um quadro global homogêneo e único”, afirma o documento.

Por: Jéssica Lipinski
Fonte: Instituto Carbono Brasil

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