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Rio Doce: arsênio é de 140 vezes o permitido

Estudo feito na região atingida pela lama mostra alto teor de metais. Camarão também é afetado por metais tóxicos, segundo estudo.

Peixe na lama de mineração, no Rio Doce em 12/11/2015 (Foto: Leonardo Merçon/ Instituto Últimos Refúgios)

Peixe na lama de mineração, no Rio Doce em 12/11/2015 (Foto: Leonardo Merçon/ Instituto Últimos Refúgios)

A contaminação por metais de peixes do Rio Doce está em até 140 vezes acima do nível permitido pela legislação, aponta o primeiro laudo realizado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade ( ICMBio) em pescados e mariscos da região. O nível de contaminação 140 vezes maior foi achado ao se medir o arsênio no peixe roncador – também contaminado por cádmio 12 vezes acima do tolerado, e por chumbo cinco vezes acima do permitido.

Segundo o jornal “A Gazeta”, o laudo foi apresentado à direção de órgãos públicos como Tamar, Ibama e o próprio ICMBio, e a pesquisadores em seminário este mês. O documento é par te de um conjunto de estudos que estão sendo feitos no Rio Doce depois da tragédia ambiental com o rompimento da barragem de rejeitos de minério da Samarco, em Mariana ( MG). Havia expectativa de que o Ministério do Meio Ambiente divulgasse o relatório esta semana; em nota, o ICMBio disse que o relatório final consolidado será divulgado no próximo dia 17.

O relatório conclui que existe “contaminação da água com metais acima dos limites permitidos pela Resolução 357 do Conama”, além de “contaminação de pescados ( peixes e camarões) acima dos limites permitidos pela Resolução 42 da Anvisa”.

UNIDADES DE CONSERVAÇÃO

De acordo com o documento, a contaminação atingiu as unidades de conservação e de preservação ambiental no entorno da região – o Arquipélago de Abrolhos, a Costa das Algas e o Refúgio de Vida Silvestre de Santa Cr uz -, nas quais houve pontos de coleta de amostras para o estudo, assim como na foz do Rio Doce e na área de Barra Nova.

No caso do camarão, por exemplo, o estudo detectou que a contaminação supera em 88 vezes o limite tolerado de arsênio, em cinco vezes o de cádmio, e em cinco vezes o de chumbo.

Já o peixe peroá, mostra o relatório, está contaminado por arsênio 34 vezes acima do permitido, e por cádmio quase três vezes acima. E o linguado supera o nível tolerado de arsênio em 43 vezes; o de cádmio em nove vezes acima ; e o chumbo em seis vezes.

Na água, a contaminação por chumbo total é de quase dez vezes acima do limite do Conama. O nível de cobre dissolvido na água está nove vezes acima do limite tolerado, enquanto o de cádmio total está duas vezes acima do limite. O estudo revela, ainda, contaminação na base da cadeia alimentar, com “acumulação significativa de metais tóxicos na base da cadeia trófica ( nos chamados zooplânctons)”; e contaminação nos corais. PESCA PROIBIDA Segundo João Carlos Thomé, da coordenação do Tamar, o documento ao qual “A Gazeta” teve acesso foi desenvolvido pelo professor Adalto Bianchini, da Universidade Federal do Rio Grande. Ainda de acordo com Thomé, a pesca está proibida na foz do Rio Doce, entre Barra do Riacho até Linhares, por decisão judicial do fim do mês passado, justamente com base nos dados apontados pelo documento.

– É uma contaminação muito grave, por metais que vão se acumulando no organismo das espécies e que não são eliminados. É um risco para a comunidade – afirmou o consultor ambiental Marco Bravo, alertando também para os prejuízos para a economia da região.

Em nota, a Samarco afirmou que ainda não teve acesso ao laudo do ICMBio, mas destacou que realiza monitoramento diário da água ao longo do Rio Doce.

Fonte: O Globo

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