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Gravações revelam que Samarco tentou atrapalhar investigações

Era definido o que deveria ser dito e até mostrado para os investigadores. Barragem de Fundão, em Mariana, se rompeu em 2015.

Bicicletas cobertas de lama na frente de uma casa na cidade de Barra Longa, em Minas Gerais.  Leia mais

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Gravações telefônicas feitas pela Polícia Federal revelaram a tentativa de funcionários da Samarco e das empresas contratadas por ela de atrapalhar as investigações sobre o desastre de Mariana.

Numa conversa, gravada em janeiro de 2016, um funcionário da Samarco contou ao gerente de Projetos, Germano Lopes, o que falou para os peritos que queriam ver relatórios.

Funcionário: Então vocês vão a campo e eu vou organizar e vou providenciar esse material pra vocês, aqui. Aí, eu mandei pro jurídico e o jurídico avaliar se aquele material pode ser mostrado pra eles Germano: Cuidado com o que você fala. Quanto menos, mais.

O relatório da Polícia Federal registra que, durante a investigação, foram encontrados vários indícios de que informações valiosas para apurar o caso estavam sendo omitidas pela Samarco. Gravações de conversas telefônicas entre funcionários, diretores da Samarco e de empresas contratadas mostram como eram acertados detalhes do que deveria ser dito e até mostrado para os investigadores.

Em um dos telefonemas, Othávio Afonso Marchi, o sócio da empresa VogBR, contratada pela Samarco para avaliar a estrutura da barragem de Fundão, combina o depoimento à polícia com um engenheiro que atestou a estabilidade da barragem, Samuel Santana Loures.

Othávio: A Samarco instala, monitora e me passa as informações para trabalhar. Ela não me passou. Então, se ela não me passou, eu faço meu laudo com que existe. É alguma coisa assim. E deixa a Samarco pra lá. Ah, cara, eu acho que não vai dar nada isso não.

Samuel: No máximo, o que vai acontecer é que vocês vão ter que pagar uma multa bem cara para me tirar da cadeira.

Othávio: Ah, tá doido, rapaz? Que cadeia o ***.

Depois do rompimento da barragem em Mariana, houve outros deslizamentos de lama. Num telefonema, o coordenador técnico de monitoramento, Wanderson Silvério Silva, diz a um funcionário que o diretor de Operações da Samarco, Kléber Terra, proibiu que os funcionários gravassem imagens.

Wanderson: O Kléber ficou bravo demais, demais.

Funcionário: Tem que ficar mesmo, uai.

Wanderson: Já falei pra turma não ficar gravando as coisas, não ficar filmando.

Funcionário: Mas imagina se um órgão ambiental tem acesso a isso?

A Samarco declarou que sempre colaborou com as investigações e repudiou o que chamou de “insinuações sobre obstrução dos trabalhos”.

O diretor de operações da Samarco, Kléber Terra, citado numa gravação, repudiou o uso dos diálogos que, para ele, estão descontextualizados e não refletem os fatos.

A VogBR não quis se pronunciar.

Fonte: Jornal Nacional

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