As restrições físicas do sistema de transmissão de energia brasileiro são o principal obstáculo para a expansão da energia eólica no país, de acordo com a avaliação da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica). Para a entidade, é preciso que o governo busque formas para viabilizar o escoamento da energia dos futuros parques, que serão contratados nos próximos leilões.
“Não adianta serem contratados 4 gigawatts de energia eólica no leilão, porque não temos margem de escoamento. Chegamos em 2015 e 2016 no limite do escoamento [de energia]. A transmissão no Brasil está com um problema estrutural. Ele [o setor de transmissão] foi afetado com margens apertadas de modo que os investidores ficaram concentrados em estatais que aceitavam baixas taxas de retorno e alguns outros players corajosos”, disse Elbia Gannoum, presidente da Abeeólica, no Brazil Wind Power, principal evento da indústria eólica do país.
A entidade defende que a margem de escoamento do sistema de transmissão reservada aos projetos de geração que não saíram do papel seja liberada para os empreendimentos que disputarão o leilão de energia de reserva (LER) marcado para 16 de dezembro. “Estamos extremamente preocupados com a margem de escoamento para os projetos que irão a leilão”, afirmou Elbia.
A liberação da margem de escoamento na rede de transmissão depende do estudo em curso pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) de rever os projetos de geração contratados e que não entrarão em operação. “Existe uma quantidade de projetos que potencialmente não se materializarão”, disse o presidente da EPE, Luiz Barroso.
Segundo Rogério Zampronha, presidente no Brasil da fabricante dinamarquesa de equipamentos eólicos Vestas, o potencial de margem de escoamento na rede de transmissão que poderá ser liberado para os projetos eólicos no LER é de até 4 gigawatts (GW).
De acordo com Tiago Barros, diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), dos R$ 30 bilhões previstos em projetos de transmissão de energia que estavam previstos para serem leiloados este ano, apenas R$ 15 bilhões serão cumpridos, porque quase 50% dos projetos ofertados no último leilão de transmissão não foram negociados.
“Nossas simulações indicam que precisaremos de reserva de intercâmbio [de energia] para o Nordeste em grande quantidade. E não conseguimos contratar isso na forma esperada”, afirmou Barros.
O diretor da Aneel destacou o avanço da tecnologia de armazenamento de energia, por meio de baterias. Segundo ele, a tecnologia é modular, de rápida instalação e fácil mobilidade, o que pode servir de solução de curto prazo até a construção da linha.”O custo da bateria está caindo 16% ao ano.”
Nas projeções da Aneel, o custo da bateria está em torno de R$ 140 por megawatt-hora (MWh). “Se o custo de oportunidade for o custo do déficit, talvez [a bateria] não seja tão cara”, disse Barros.
O diretor-geral do ONS, Luiz Eduardo Barata, reconhece que a maior preocupação do órgão hoje é com relação à transmissão. Segundo ele, uma alternativa de curto prazo seria que o próprio setor eólico investisse no setor de transmissão, neste momento mais crítico.
Por: Rodrigo Polito
Fonte: Valor Econômico






