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Uma árvore ‘urbana’ traz US$ 273 de benefícios por ano, aponta estudo

Andando pelas ruas, nos deparamos, todos os dias, com uma maior ou menor quantidade de árvores. Mas o que não vemos, e nem fazemos ideia, é o real valor econômico de uma árvore.

Muitos estudos têm associado o valor das árvores urbanas aos benefícios obtidos por mudanças na estrutura das cidades pela vegetação. Entre as melhorias avaliadas estão sequestro de carbono, remoção de partículas de poluentes e efeitos nos custos de condicionamento de ar, sem esquecer os impactos na hidrologia.

Em Nova York, por exemplo, há 876 mil árvores que cobrem 23,1% da cidade. Elas são responsáveis pela economia anual de energia de aproximadamente US$ 11 milhões. Em matéria de sequestro de carbono, o valor é equivalente a US$ 386 mil, e os efeitos na remoção de poluentes correspondem a US$ 836 mil.

Além das questões objetivas, existem benefícios menos tangíveis, cuja quantificação econômica é mais difícil. Como medir o valor do sombreamento em dias ensolarados, da beleza de suas flores, do abrigo de pássaros e outros animais e até mesmo da valorização das propriedades imobiliárias com árvores?

Obviamente, localização das árvores, tamanho, espécie, condição sanitária e idade devem entrar nessa conta.

Há um site com programa específico que permite calcular o valor desses benefícios a partir de dados como localização e tipo da árvore. Para quem quiser conferir, o endereço é treebenefits.com/calculator.

Por exemplo, para uma Acacia baileyana de 60 cm de diâmetro, localizada em Santa Monica, na Califórnia, o valor é de US$ 229 por ano, distribuídos entre sequestro de carbono, melhoria da qualidade do ar, incremento no valor da propriedade, economia de energia e nos sistemas de drenagem de águas pluviais.

Estudo realizado na cidade de Lisboa por meio de programa semelhante demonstra que, em média, para cada ?€ 1 investido nas árvores da cidade, o retorno econômico é de ?€ 3,50. Anualmente, cada uma das 41.247 árvores da cidade devolve aos lisboetas ?€ 124 em benefícios econômicos.

As avaliações são diversas. Segundo trabalho publicado pela Associação Florestal Americana, cada árvore resulta em um benefício econômico de US$ 73 em ar-condicionado, US$ 75 em controle de erosão, US$ 75 em abrigo de animais silvestres e US$ 50 em redução da poluição do ar.

Computados esses US$ 273 por 50 anos, a uma taxa de juros de 5% ao ano, chega-se ao valor total de US$ 57.151 para uma única árvore.

Além de todos os já conhecidos benefícios das árvores, o pesquisador americano David Nowak tenta calcular seu valor econômico na redução da temperatura do ar e na absorção da radiação ultravioleta.

Mais intrigante ainda é entender a relação entre a redução do estresse no dia a dia das pessoas com a observação de uma vegetação. Usando imagens de satélite, Nowak pretende desenvolver um índice que determine o quanto de vegetação é visível pela população de alguns pontos de uma determinada cidade, e como as pessoas reagem a essa exposição a fim de quantificar o fato economicamente.

Segundo ele, não será fácil separar o efeito das árvores de outras forças sociais relacionadas com o estresse urbano, mas será criada uma nova fronteira na determinação do valor econômico das vegetações.

Pesquisadores da Universidade da Califórnia chegaram à conclusão que o custo anual para manter uma árvore urbana é de US$ 19 e, portanto, o retorno pode superar de 5 a 10 vezes o investimento.

Talvez seja a hora de mudarmos paradigmas e concluir que pode ser possível dinheiro crescer em árvores.

Claudio Bernardes, É engenheiro civil e atua como empresário imobiliário há mais de 30 anos.  É presidente do Conselho Consultivo do Secovi-SP.  Escreve às segundas.
Fonte: Folha de São Paulo

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