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Empresas europeias vão investir em agricultura de baixo carbono no Brasil

Iniciativa aproxima empresas brasileiras e europeias para explorarem potenciais comerciais da agricultura de baixo carbono

Uma pesquisa realizada pela Low Carbon Business Action in Brazil (LCBA) – ação que visa aproximar empresas brasileiras e europeias – mapeou o cenário de oferta e procura por tecnologias, processos e serviços da agricultura brasileira e identificou as barreiras e potencialidades do mercado de agricultura de baixo carbono (ABC). Com base nos resultados do relatório, a iniciativa promoverá acordos de parcerias e negócios entre pequenas e médias empresas do Brasil e dos 28 Estados membros da União Europeia (UE).

A primeira fase do trabalho da LCBA identificou empresas e instituições de diversas categorias, cerca de 200 na Europa e 100 no Brasil. Com o mapeamento, a iniciativa chegou a uma lista das principais lacunas em tecnologias e conhecimentos que precisam de ampliação do lado brasileiro e das oportunidades de negócios do lado europeu. Com os dados em mãos, o objetivo é “casar” os interesses de ambos os lados. “A iniciativa é pioneira por ser totalmente direcionada para pequenas e médias empresas que trabalham com economia de baixo carbono. Ela vai tratar diretamente com o setor privado que está no campo”, disse Susian Martins, pesquisadora na Fundação Getúlio Vargas (FGV) e uma das consultoras do relatório.

Conforme a pesquisadora, há uma disparidade grande no Brasil quando se trata de desenvolvimento de tecnologias e serviços. Enquanto algumas regiões estão desenvolvidas, como o Sul e o Sudeste, outras estão muito aquém de seu potencial, a exemplo do Norte e do Nordeste. As principais tecnologias ABC identificadas no relatório como tendências de desenvolvimento no futuro são a recuperação de pastagens, sistemas de produção integrados (ILPF), plantio de florestas e expansão de geração de energia de biodigestores a partir de resíduos animais. Essas tecnologias, porém, precisam ser aprimoradas para atender à demanda nacional.

“Tomando como base a elevada área degradada, a intensificação da pecuária com ILPF e a restauração florestal são as tecnologias que precisam ser ampliadas com mais urgência, principalmente para acompanhar as metas assumidas pelo Brasil na COP-21. Temos um déficit de Reserva Legal elevado no Brasil e a restauração florestal vem para suprir essa falta. Também temos muita tecnologia para plantação de eucalipto e pinus, mas há diversas outras espécies a serem exploradas e usadas”, explicou Martins.

Por parte dos países europeus, foi identificado um grande interesse pelo setor de maquinaria e eficiência de fertilizantes brasileiros, também um grande entrave no Brasil, de acordo com Martins. “Com mais eficiência no uso dos fertilizantes, menor a quantidade de adubo e maior a produção”, disse.

 

Auxílio ao Plano ABC

Iniciativas como a LCBA podem ser importantes aliadas para o desenvolvimento do Plano de Agricultura de Baixo Carbono (ABC), na visão de Martins, principalmente no que se refere à capacitação em agricultura de baixo carbono e ao monitoramento das emissões de gases de efeito estufa. “A LCBA vai ajudar nessas duas lacunas, que também representam um problema do Plano ABC. Hoje temos um laboratório de monitoramento [Plataforma ABC, coordenada pela Embrapa em Jaguariúna], mas que até agora não lançou dados oficiais. Não há acompanhamento por parte da sociedade. Falta também capacitação regionalizada para cada tecnologia ABC”, observou.

As empresas e instituições interessadas em participar da LCBA podem se cadastrar pelo site da iniciativa. Após um processo de seleção, elas estarão aptas para participar de uma rodada de negócios que acontecerá na Feira Agrishow, em Ribeirão Preto (SP), dos dias 1 a 5 de maio. A Missão de Matchmaking da LCBA tem o apoio do Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa (Sebrae) e da Confederação Nacional da Agricultura (CNA).

Fonte: Observatório ABC

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