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Petrobras vende participação em subsidiária argentina

O Conselho de Administração da Petrobras aprovou, hoje (12), a venda de sua participação de 67,19% na Petrobras Argentina (PESA), que tinha por meio da Petrobras Participaciones S.L. (PPSL). A compra efetivada pela Pampa Energía.

O anúncio foi feito pelo diretor Financeiro e de Relacionamento com Investidores, Ivan Monteiro, ao detalhar os resultados da empresa no 1º trimestre de 2016.

Ele informou que o preço base da transação é de US$ 892 milhões. Esse valor equivale ao volume de US$ 1,327 bilhão para 100% da PESA. O acordo incluiu outras operações subsequentes para a aquisição, pela Petrobras, de 33,6% da concessão de Rio Neuquen, na Argentina, e de 100% do ativo de Colpa Caranda, na Bolívia, por um valor total de US$ 52 milhões.

Conforme a companhia, os dois ativos têm valor estratégico para a Petrobras, diante do grande potencial de produção de gás natural, especialmente Rio Neuquen. Lá, a empresa estima haver grandes reservas de gás natural não convencional (tight gas). A Petrobras destacou, no entanto, que as operações subsequentes para estes ativos estão condicionadas à aprovação das instâncias de deliberação da PESA e de pelos órgãos reguladores.

Novo governo

Questionado sobre a mudança de governo e as incertezas do cenário político, o diretor Financeiro e de Relacionamentos com Investidores da Petrobras, Ivan Monteiro, disse que o foco da companhia é cumprir os resultados prometidos ao mercado. O diretor disse que, pela primeira vez, no ano passado, a companhia anunciou uma meta de produção e a cumpriu, desempenho que espera se repetir em 2016.

“Todos os dados operacionais mostram uma melhora e uma captura este ano de tudo aquilo que foi planejado ao longo de 2015. Toda a diretoria está plenamente focada em entregar os resultados que se comprometeu com o mercado, gerar valores para seus acionistas e cumprir com suas obrigações”, disse em entrevista à imprensa. “O foco da diretoria é com relação ao seu desempenho, com as metas que ela acordou com seus acionistas e com o conselho de administração. Esse é o foco da diretoria”, acrescentou.

Perguntado sobre mudanças na diretoria da empresa, Monteiro disse que cabe ao Conselho de Administração indicar permanência dos diretores no governo interino de Michel Temer. “A diretoria executiva está, completamente, focada no melhor desempenho operacional da companhia”.

Sobre o plano de negócios da estatal, Ivan Monteiro disse que a revisão do plano feita no ano passado, uma das primeiras iniciativas da nova diretoria naquela época, mostrou que este era o caminho para a companhia voltar ao rumo depois das dificuldades financeiras e investigações da Operação Lava Jato. Segundo Monteiro, o plano original previa que a Petrobras teria de investir US$ 45 bilhões em 2015 e se isso tivesse ocorrido, a empresa ficaria sem caixa.

“Se não tivéssemos feito a revisão do plano e investido os US$ 45 bilhões ou demorássemos a fazer a revisão, a Petrobras hoje não teria caixa. A diferença entre o valor que estava previsto no plano e o valor efetivamente investido que foi US$ 23 bilhões, saído do caixa, foi exatamente o caixa que a Petrobras tem hoje em torno de US$ 23 bilhões”, disse.

O diretor lembrou que, quando a atual diretoria executiva começou a trabalhar, a Petrobras não tinha previsibilidade, diferente do que ocorre agora, com a divulgação regular dos resultados.

“Quando iniciamos, a companhia se quer tinha data para divulgar os balanços. Como é possível uma companhia que tinha tomado junto ao mercado US$ 130 bilhões, seja no mercado internacional de capitais, seja no mercado de bancos comerciais, seja no mercado de bancos de investimentos, não ter a possibilidade de dizer para o investidor a data de publicação de seu balanço? Como se pode avaliar a performance de uma companhia se ela não demonstra os seus números. O fato de a gente ter adquirido essa regularidade, que é uma obrigação, é uma demonstração clara de como a gente recuperou e consegue hoje acompanhar todos os processos da companhia de uma maneira regular”, afirmou.

Monteiro reconheceu que a imagem da empresa foi abalada com as denúncias de pagamento de propinas e com a crise econômica do país. Com isso, segundo o diretor, as alternativas de financiamento no mercado reduziram e se tornou um desafio para a diretoria executiva. “A gente teve que fazer todo um trabalho de primeiro resgatar e voltar a publicar regularmente os balanços, segundo praticar para o mercado o ato de declarar e entregar o que declarou, e em terceiro criar as alternativas. Tudo ao mesmo tempo”.

Busca de alternativas

Monteiro disse que a empresa tem conseguido bons resultados com as fontes mais estáveis de financiamento, que não são tão afetadas pelo curto prazo, como agências de crédito à exportação e os bancos de desenvolvimento. “O que tem nos deixado muito satisfeitos, é que normalmente, agora, naturalmente temos sido contatados pelo mercado. O mercado oferecendo a Petrobras alternativas para que a gente consiga desconcentrar esse volume de vencimentos que ainda é muito grande”, informou.

Colesterol

O diretor comparou a necessidade de a empresa manter a busca de alternativas de crédito para garantir um bom desempenho no mercado, ao controle de colesterol. “Eu brinco aqui com meus colegas que a Petrobras é uma empresa com nível de colesterol muito alto. O que é o colesterol? O colesterol é a alavancagem. Se você vai ao médico, ele pede um exame e você mostra o colesterol muito alto, ele diz que pode dar um remédio, mas recomenda uma vida mais saudável. Diuturnamente essa equipe e todos os empregados trabalham para que a Petrobras tenha uma vida mais saudável. E o nível de colesterol possa se reduzir”, disse.

Edição: Lana Cristina

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