Estimativas mostram que objetivo do Plano ABC para ILPF já teria sido alcançado
Com base nos resultados do estudo sobre adoção da integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) no Brasil, a Plataforma ABC – estrutura coordenada pela Embrapa para dados técnicos sobre emissão de gases de efeito estufa para o setor agropecuário – reuniu estimativas preliminares referentes ao estoque de carbono no solo pela ILPF. Elas indicaram o estoque da ordem de 35,1 milhões de toneladas de carbono equivalente (CO2eq) para todo o período da pesquisa e da ordem de 21,8 milhões de Mg de CO2eq para o período 2010 e 2015, considerando uma área de adoção da ordem de 5,96 milhões de hectares.
Com isso, o objetivo estabelecido pelo Plano de Agricultura de Baixo Carbono (ABC) para 2020, de ampliar em 4 milhões de hectares a adoção de sistemas ILPF, correspondendo ao sequestro de 18-22 milhões de Mg de CO2eq, já teria sido alcançado. “Mantida até 2020 a taxa de incremento de adoção de ILPF, podemos concluir que estamos no caminho para cumprir o objetivo de expansão adicional de adoção dessa tecnologia em outros 5 milhões de hectares, conforme apresentado pelo Brasil durante a COP-21 em Paris na forma de suas Contribuições Nacionalmente Determinadas”, diz Celso Manzatto, coordenador da Plataforma ABC.
Manzatto explica que o sistema ILP responde a cerca de 80% da adoção, e optou-se por realizar uma estimativa conservadora, com um coeficiente de redução das emissões da ordem de uma tonelada de carbono equivalente por hectare por ano.
O pesquisador Eduardo Assad, da Embrapa Informática Agropecuária, destaca questões relacionadas à rentabilidade dos sistemas de integração. Ele cita o Programa Novo Campo, em Alta Floresta (MT), que aborda estratégias de pecuária sustentável na Amazônia, com taxa de ocupação de 1,6 animal/ha, considerando a taxa de ocupação em pastagens degradadas da ordem de 0,75 animal/ha, ou o Projeto Roncador no médio Araguaia, onde a taxa de ocupação é 1,7 cabeça/ha, somente com o melhoramento de pastagens.
Assad ainda cita um estudo da Escola de Economia de São Paulo (FGV/EESP), Intensificação da Pecuária, seus Impactos no Desmatamento Evitado na Produção de Carne e na Redução de Emissões de GEE, no qual conclui que, se todo pecuarista no Brasil adotasse algum tipo de estratégia ILP/ILPF, seria possível adicionar mais 130 milhões de cabeças ao rebanho do país. Assad acredita que a integração produtiva permite aumentar a produção de carne, agregando a possibilidade de certificação internacional, por meio da baixa pegada de carbono. “Em breve, a carne que não for certificada não encontrará acesso nos melhores mercados mundiais,” complementa ele.
Fonte: Observatório ABC






