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Analistas mantêm visão sobre MRV

Alguns analistas de mercado mantiveram as perspectivas de médio e longo prazos para as ações da MRV Construtora, apesar do impacto derivado de denúncia envolvendo trabalho análogo à escravidão, que culminaram com a suspensão de novos créditos à companhia por parte da Caixa e BB. Na opinião de Otávio Coutinho Vieira, sócio da Fides Asset Management, os papéis sofrerão no curto prazo, mas a companhia conseguirá reverter a situação judicialmente. O executivo ressalta, porém, a dificuldade de o mercado prever situações como essa. “O que fazemos é uma avaliação qualitativa pelo que já está em curso. Se a empresa já tem ações judiciais contra ela”, afirmou.

A equipe de análise do banco Morgan Stanley escreveu em relatório, na semana passada, que acreditava na retirada da construtora da lista no prazo curto. E os analistas do Citi também fizeram avaliação nesta linha.

Procurada pelo Valor, a MRV disse que assim que tomou conhecimento das irregularidades descredenciou a terceirizada que trabalhou para a construtora durante cinco meses na obra em que ocorreu o flagrante em Curitiba (PR), em 2011. “A MRV repudia veementemente qualquer prática que não respeite os direitos trabalhistas do seu quadro de colaboradores e dos quadros de seus fornecedores e parceiros”, afirmou, em comunicado.

No dia 9 deste mês, a companhia entrou com um mandado de segurança no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para retirar seu nome da lista “suja” do Ministério do Trabalho, expediente do qual se valeu em meados de 2012, quando foi incluída pela primeira vez, após flagrantes em obras no interior de São Paulo. O pedido, desta segunda vez, foi indeferido pelo STJ.

Nos próximos meses as 350 empresas e entidades signatárias do Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo serão monitoradas. “Vamos verificar como as empresas signatárias que se relacionam com a construtora reagirão a isso”, disse Caio Magri, gerente-executivo do Instituto Ethos, que junto à ONG Repórter Brasil, ao Instituto Observatório Social e à Organização Internacional do Trabalho (OIT) cuida do comitê de coordenação do pacto.

Paulo Itacarambi, vice-presidente do Instituto Ethos, diz que o assunto tem evoluído e que muitas empresas estão, “de fato, fazendo a gestão de risco e não enfrentam mais esse tipo de problema”. Um motivo dessa maior conscientização das companhias pode estar na sociedade. “O comportamento [de rejeição] do investidor e dos fornecedores é mais eficiente para mudar a postura da empresa do que o boicote do consumidor”, afirma Leonardo Sakamoto, cientista político da ONG Repórter Brasil. Segundo ele, atitudes mais conscientes já podem ser vistas em exemplos como o de bancos e fundos de pensão que assinaram os Princípios para o Investimento Responsável.

Fonte: Valor Econômico

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