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Suzano para projetos de US$ 4 bilhões

A caminho de colocar em operação uma nova fábrica no Maranhão, a Suzano Papel e Celulose suspendeu dois projetos de seu portfólio, com investimentos estimados em cerca de US$ 4 bilhões. A decisão está alinhada ao novo direcionamento da companhia, de neste momento concentrar atenção nessa unidade, em Imperatriz, na redução do endividamento e na melhoria dos seus resultados.

Sob a nova estratégia, tanto a Suzano Energia Renovável, com investimento estimado em US$ 1 bilhão, quanto a fábrica de celulose do Piauí, avaliada em US$ 3,01 bilhões, estão engavetadas até que a alavancagem financeira da companhia esteja abaixo de 2,5 vezes (pela relação entre dívida líquida e Ebitda). No fim de 2012, esse indicador era de 5 vezes. Analistas já desenham rota ascendente para os próximos meses.

A avaliação do novo presidente da Suzano, Walter Schalka, é de que a “indústria de celulose não tem rentabilizado de forma adequada o capital de seus acionistas”. Esse retorno poderá ser ainda menor se confirmado o cenário de sobreoferta da matéria-prima em alguns anos. Entre intenção e anúncios oficiais, haveria uma nova fábrica por ano até o fim da década.

Sob o lema do maior rigor na oferta – já adotado pela concorrente Fibria, que também adiou um projeto -, a Suzano poderia, no limite, reduzir os níveis de produção ou deixar de comercializar certos volumes do produto para evitar preços e margens inadequados. “Tomamos o cuidado de nos reunir nas últimas semanas para discutir qual deveria ser o foco da organização”, disse Schalka, após a divulgação dos resultados do quarto trimestre. “A decisão foi por uma política mais conservadora de endividamento e determinada na busca de resultados.”

A preocupação com os níveis de alavancagem se justifica com os números do fim de 2012 e os desembolsos previstos para este ano. A companhia terá de arcar neste ano com pesados aportes para garantir o início da operação da fábrica do Maranhão no quarto trimestre. Estima-se R$ 3 bilhões, dos quais R$ 2,3 bilhões direcionados à nova unidade.

A suspensão dos projetos, que já receberam aportes de R$ 550 milhões, faz parte de um conjunto mais amplo de medidas anunciadas ontem pela direção da Suzano. Aprofundamento do programa de redução de custos, revisão de processos corporativos, modernização de determinadas linhas de produção, estruturação de logística integrada, redimensionamento de equipes com foco nas prioridades, entre outras iniciativas, fazem parte do programa de ajustes.

Segundo Schalka, em relação a pessoal, será proposto ao conselho a reeleição de todos os diretores estatutários. O organograma da empresa, contudo, será simplificado. “Vamos fortalecer a cultura de meritocracia”, afirmou. Do lado financeiro, a Suzano cancelou uma linha de crédito em formato de “stand by facility” com o Banco BTG Pactual de R$ 2 bilhões e reafirmou os planos de vender ativos não estratégicos e não operacionais para reduzir alavancagem.

“Diante da robustez de caixa [R$ 4,3 bilhões em dezembro] e da geração de caixa, mais os R$ 2,5 bilhões do BNDES e agências de crédito à exportação para o projeto do Maranhão, não seria necessário usar essa linha”, explicou.

Sobre os ativos que devem ser vendidos – a exemplo de sua participação no Consórcio Capim Branco Energia -, ele afirmou que há terras e florestas excedentes em São Paulo, além de imóveis, que poderiam ser monetizados e gerar cerca de R$ 250 milhões em recursos à companhia.

O lucro líquido de R$ 34 milhões da Suzano no quarto trimestre ficou praticamente em linha com o esperado. A média das projeções de Bank of America Merrill Lynch, Espirito Santo, Itaú BBA e Goldman Sachs apontava para lucro de R$ 36,5 milhões entre outubro e dezembro. A receita líquida de R$ 1,47 bilhão também veio dentro das expectativas – na média, os quatro bancos esperavam receita de R$ 1,46 bilhão.

Já o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) de R$ 404 milhões ficou ligeiramente acima da média das estimativas, que apontava para R$ 386 milhões no período.

Fonte: Valor Econômico

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