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Alstom negocia contrato do linhão de Belo Monte

A francesa Alstom negocia com o consórcio IE Belo Monte – formado pela chinesa State Grid (51%), Furnas (24,5%) e Eletronorte (24,5%) – o fornecimento de equipamentos de conexão para a linha de transmissão que ligará a hidrelétrica do Rio Xingu (PA) até o Sudeste, com mais de 2 mil km de extensão. O valor estimado do contrato não é comentado. Mas é possível ter ideia por um contrato semelhante de fornecimento de equipamentos da própria Alstom para o linhão do Rio Madeira, em Rondônia, de 2,3 mil quilômetros, por US$ 400 milhões.

A concorrência para o pacote do linhão de Belo Monte, no entanto, não será simples para a francesa. Também estão na disputa concorrentes de peso, como a suíça ABB e a alemã Siemens.

“Estamos negociando, conversando com o consórcio vencedor. É a mesma coisa que fazemos no Rio Madeira. E esperamos em breve ter uma resposta para o projeto da linha de Belo Monte”, afirmou Grégoire Poux-Guillaume, presidente global da Alstom Grid, braço do grupo francês na área de transmissão. Questionado sobre a forte concorrência, o executivo citou um provérbio: “espere pelo melhor, prepara-se para o pior”.

Poux-Guillaume esteve no Brasil no início de fevereiro para acompanhar o leilão da linha de transmissão de Belo Monte, realizado em 7 de fevereiro, e conversar com os investidores. O executivo pretende retornar ao Brasil entre maio e junho para mais uma rodada de reuniões.

O Brasil responde por dois terços do faturamento da Alstom Grid na América Latina, que por sua vez, representa de 10% a 15% das vendas globais da empresa. A Alstom Grid é responsável por 20% dos negócios da holding francesa e possui 20 mil funcionários, de um total de 90 mil empregados do grupo.

Questionada sobre as recentes denúncias de pagamento de propina para fechar um contrato com uma estatal paulista da área de energia em 1998, a Alstom informou que está confiante de que os devidos esclarecimentos serão feitos e que mantém seus investimentos e negócios com foco no Brasil.

“A Alstom gostaria de ressaltar que a empresa tem implementado, em toda a sua organização, regras estritas de conformidade e ética que devem ser aderidas por todos os funcionários. O atual programa de conformidade da Alstom foi certificado pela ETHIC Intelligence, uma agência independente, e classificado como ‘atingindo aos mais altos padrões internacionais'”, afirmou a empresa, em nota.

Além do setor de transmissão, outra área de negócio da Alstom Grid é o segmento de “smart grid”, como é chamado o grupo de tecnologias que formam as redes inteligentes de energia. A companhia participa de um projeto de smart grid, de 30 milhões de euros, em Nice, na França.

No Brasil, porém, os negócios na área de smart grid evoluem em ritmo mais lento. Segundo Poux-Guillaume, um dos principais motivos é o processo de mudança regulatória atual, a partir da renovação das concessões de geradoras, transmissoras e futuramente distribuidoras.

“Houve uma queda de faturamento [das empresas que aderiram ao processo de renovação das concessões]. As empresas estão tentando reduzir custos. A prioridade das empresas neste momento é gerir esta dificuldade”, afirmou o executivo.

Segundo o executivo, contudo, as soluções de redes inteligentes de energia podem reduzir ou até mesmo evitar os impactos de apagões no sistema elétrico. O executivo estava no Brasil, quando ocorreu o apagão que atingiu 13 Estados e o Distrito Federal, no início do mês.

A Alstom Grid foi criada em meados de 2010, com aquisição da atividade de transmissão da Areva T&D. O negócio de transmissão é uma das três áreas da companhia francesa, que também possui unidades de energia (fornecimento de turbinas principalmente para hidrelétricas e eólicas) e transporte.

No Brasil, o faturamento anual da Alstom é da ordem de R$ 2,5 bilhões. A empresa possui 13 unidades instaladas e uma em fase de construção, além de cerca de 5 mil funcionários.

“Na área de energias renováveis, o Brasil é um dos mercados mais importantes para a Alstom”, explicou Poux-Guillaume, lembrando que a companhia negocia contratos com empresas que venderam energia de parques eólicos nos leilões de geração do ano passado.

O repórter viajou a convite da Alstom

Por: Rodrigo Polito
Fonte: Valor Econômico

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