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Pantanal: bioma de beleza inigualável também está ameaçado

Apenas 3% do Pantanal encontra-se protegido por Unidades de Conservação

Pantanal do Mato Grosso (Foto: Adriano Gambarini/WWF-Brasil)

Pantanal do Mato Grosso (Foto: Adriano Gambarini/WWF-Brasil)

No Pantanal nada é pequeno, ao contrário, tudo tem proporções extraordinárias.  A região concentra a maior área úmida do planeta e cobre 170.500,92 km2, onde crescem 3,5 mil espécies de plantas e vivem 656 tipos diferentes de aves, 325 de peixes, 159 de mamíferos, 98 de répteis, 53 de anfíbios em perfeita harmonia com o homem.  A fauna rica e diversificada se mistura em meio da exuberância da flora, que abriga e sustenta milhares de pessoas, contribuindo para a valorização da cultura pantaneira.

O bioma também compreende um grande número de rios sinuosos e com depressões ao longo de seu trajeto, dentre os quais o rio Paraguai, o Cuiabá, o São Lourenço e o Aquidauana, alagando 80% da área no período da cheia, transformando a região em um impressionante lençol d’água. Pedaços de terra sobressaem como verdadeiras ilhas cobertas de vegetação, onde os animais e o homem buscam refúgio contra a subida das águas.

O período chuvoso dura até cinco meses. O volume da água despejada nos rios pantaneiros é impressionante: são 180 milhões de litros por dia, o que corresponde a 72 piscinas olímpicas. Este fenômeno se repete todos os anos num ciclo permanente do baixar e subir das águas, responsável por um delicado equilíbrio que é extremamente sensível a quaisquer interferência.

Não é à toa que o Pantanal recebe o título de “reino das águas” e é considerado Patrimônio da Humanidade e Reserva da Biosfera pelas Nações Unidas (ONU) e Patrimônio Nacional pela Constituição Federal.

O rico e tão singular bioma Pantanal tem uma relevância que vai além de suas fronteiras. Ele é um grande fornecedor de água e protetor de todo o ciclo hidrológico, por isso, fundamental para a garantia de água, em quantidade e qualidade. Influencia diretamente no equilíbrio do clima, umidade do ar e ainda mantém a conservação da biodiversidade e do solo.

A maior parte do Pantanal está contida em território brasileiro, que detém 62% do bioma, seguido pelo Paraguai com 20% e com porções menores na Bolívia (18%). No Brasil, o Pantanal abrange os estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, e a soma das áreas ocupadas pelo ecossistema é do tamanho de quatro países juntos: Bélgica, Holanda, Portugal e Suíça.

Toda a imensidão do Pantanal, entretanto, não é páreo à ação humana, cujos danos causados são muitas vezes irreversíveis. Dos tempos do Brasil Colônia até o século XVIII, o desmatamento era quase nulo. Desde então, 15% do Pantanal foram alterados pela ação humana. As principais ameaças à conservação da região são a exploração de monocultivos como, por exemplo, de soja, cana-de-açucar e eucalipto, as erosões do solo, a criação extensiva de gado em pastos plantados e a implementação de obras de infraestrutura, como barragens e hidrovias.

Hoje o Pantanal vive uma fase de transição pois a região, uma das mais exuberantes e menos afetadas pode sofrer impactos irreparáveis, com o agravante de que o homem pantaneiro desapareça, levando consigo sua cultura, crenças, conhecimento tradicional. Enquanto não for executado um plano de proteção para o bioma ou forem criadas novas áreas protegidas.

Apenas 3,19% do Pantanal encontra-se protegido por Unidades de Conservação, dos quais apenas 2,88% correspondem a unidades de proteção integral, o que coloca ainda mais em risco o bioma.

Atento ao grito do meio ambiente o WWF não poderia deixar de agir em prol da harmonia entre homem e natureza e criou o programa Cerrado Pantanal.

Para enfrentar esses problemas que já comprometeram aproximadamente 50% da cobertura original, ou seja, 154 mil km2 da Bacia do Alto Paraguai, onde o Pantanal encontra-se na região central, o WWF realiza ações de conservação compartilhadas com o Brasil, o Paraguai e a Bolívia e busca reduzir o impacto das atividades humana, promovendo a proteção dos ecossistemas aquáticos, o desenvolvimento de boas práticas produtivas, o planejamento sistemático do território e o desenvolvimento de hábitos responsáveis de consumo.

O trabalho consiste na realização de estudos de impacto sobre o uso do solo, além do cálculo da pegada ecológica, o monitoramento da cobertura vegetal e o apoio à gestão de unidades de conservação, principalmente, estimulando a criação de Reservas Privadas do Patrimônio Natural.

Também ajuda a conservar nascentes e rios, por meio das ações do Pacto em Defesa das Cabeceiras do Pantanal, e estimula a produção sustentável de carne com a promoção de boas práticas para o fortalecimento da pecuária sustentável, entre diversos outros projetos.

Em linhas gerais, compartilhamos a visão das pessoas que vivenciam o desafio permanente de encontrar alternativas para um desenvolvimento responsável, considerando a natureza como um bem comum que deve ser usufruída pelas gerações atuais e futuras.

Julio César Sampaio é coordenador do Programa Cerrado Pantanal do WWF

Fonte: Blog do Planeta

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