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Lagoa de Araruama enfrenta nova mortandade de peixes

Ambientalistas dizem que dragagem poderia minimizar problema A cena é triste, mas um tanto comum: centenas de tainhas, robalos, carapebas e savelhas boiam mortos na beira da Praia Linda, na Lagoa de Araruama, em São Pedro da Aldeia. Pela segunda vez neste ano, houve mortandade de peixes.

Para o presidente da ONG Viva Lagoa, Arnaldo Villa Nova, desta vez a hipótese mais provável é a combinação entre o acúmulo de matéria orgânica e a proliferação de algas que consomem oxigênio da água subitamente. Segundo o ambientalista, esses fatores, somados ao assoreamento da lagoa e à dificuldade da troca de água com o mar, agravam a situação: – Na quarta e na quinta- feira, que foram os dias críticos, fizemos medições e detectamos que, em Iguaba, o oxigênio estava entre 1.0 e 1.8 miligramas por ml, enquanto o normal seria entre 6 e 9 miligramas por ml. Até 4 miligramas de oxigênio por ml, os peixes ainda vivem. Abaixo disso, compromete a vida marinha – afirma o presidente da ONG Viva Lagoa.

Biólogo e vereador, Leandro Coutinho ( PMDB) afirma que casos de mortandade são recorrentes e reforça a necessidade de obras de dragagem para melhorar a circulação de água.

– Teve muita chuva nos últimos meses. E, como o tratamento de esgoto é feito em tempo seco, acaba caindo esgoto na lagoa. Os níveis de oxigênio foram lá embaixo. Obras de dragagem podem ajudar a reduzir esses casos – diz Coutinho.

O pescador Francisco da Rocha Guimarães Neto, de 45 anos, reclama do assoreamento: – Isso vai acontecer enquanto não houver dragagem. Alguns pontos da lagoa são tão assoreados que chegam a ter somente 60 centímetros de lâmina d”água – diz o pescador.

Francisco conta que está cada vez mais difícil navegar naquelas águas – onde aprendeu a pescar há três décadas – por causa do assoreamento, sobretudo no Canal do Itajuru, que faz a ligação com o mar. A lagoa tem 220 quilômetros quadrados de área e 40 quilômetros de extensão, e o gargalo está no canal. Lá, existem pontos críticos de poluição e assoreamento, como no Boqueirão, em São Pedro da Aldeia, e também em Ponta do Ambrósio, Ilha do Anjo, Mercado do Peixe, Boca da Barra e Ilha do Japonês, todos em Cabo Frio. Como um dos problemas da lagoa é a falta de renovação da água, todos esses pontos precisariam de obras.

MUDANÇA DE TEMPO

Segundo o pescador, as obras de dragagem que seriam feitas pelo governo estadual na região foram adiadas devido à crise financeira. Enquanto isso, o município deve iniciar um trecho pequeno da dragagem com recursos de cerca de R$ 4 milhões da Agência Nacional de Águas ( ANA).

– Esse é só o trecho no Boqueirão, em São Pedro da Aldeia, que é pequeno e não resolve – lamenta.

Moradora de São Pedro da Aldeia, a terapeuta holística Luciane Oliveira diz que está revoltada com a situação: – Já vi essa lagoa com a água cristalina. É lamentável. A água está preta e exala odor forte de esgoto – diz a moradora.

A Lagoa de Araruama já havia enfrentado mortandade de peixes no início de janeiro.

O Instituto Estadual do Ambiente ( Inea) afirma que a ocorrência de peixes mortos na Região dos Lagos tem como causa provável a mudança do tempo, que em geral é acompanhada de rajadas de vento que revolvem o fundo da lagoa, reduzindo o nível de oxigênio da água. Técnicos do Inea coletaram amostras d”água na Lagoa de Araruama, na quinta e na sexta- feira, para análise.

Por: Luiz Gustavo Schmit
Fonte: O Globo

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