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Menor geração de lixo é nova aposta das empresas

Além da reciclagem, companhias de diversos portes investem em produtos que geram menos resíduos, como fraldas e cápsulas de café reutilizáveis São Paulo – A grande preocupação de ambientalistas tem sido mais do que a reciclagem: a busca hoje é pelo controle da geração de lixo. Neste sentido, empresas – de pequeno porte a gigantes da indústria – apostam em produtos que reduzem sensivelmente a formação de resíduos.

É o caso da paulistana Dipano, que vende fraldas 100% reutilizáveis. A ideia surgiu em meados de 2010 justamente da preocupação com o excesso de lixo. Um bebê chega a usar mais de 6 mil fraldas descartáveis em sua vida , afirma a sócia Maria Cristina Duarte.

Ela garante que o produto é fácil de higienizar, primeira preocupação que vem à mente dos interessados. Além da capa, que é a fralda propriamente dita, também é usado um absorvente, principalmente nos seis primeiros meses de vida do bebê. Para higienizá-los, basta fazer uma pré-lavagem com água e depois colocar na máquina , explica Maria.

O chamado enxoval contém 20 fraldas e pode ser usado até o desfralde, que vai de dois a três anos de idade. Segundo Maria, este kit chega a custar um sexto do valor total de fraldas descartáveis usadas por um bebê. E ainda pode ser usado novamente , pondera.

A empresária conta que o produto vem recebendo uma resposta muito positiva, principalmente porque o tecido causa menos assaduras e alergias. Nosso crescimento tem sido orgânico. Nem propaganda nós fizemos.

Desde a fundação da Dipano, a empresa tem reportado expansão de 30% ao ano. As vendas são feitas on-line. Não temos conseguido atender a toda demanda porque o produto ainda é importado. A ideia, conforme Maria, era produzir as fraldas no Brasil.

Mas os fabricantes locais de tecidos não possuem insumo que garanta 100% de eficiência , relata. Maria não revela a projeção de crescimento para 2016, mas pondera que o mínimo deve ser de 30%. Não sentimos a crise , comemora.

Mudança de paradigma

Em um mercado cuja aparência é muito relevante, a gigante Natura tenta emplacar uma linha de beleza com apelo sustentável.

A Sou utiliza 70% menos plástico e 20% menos ingredientes. Mas a empresa garante que a eficiência é a mesma de outras linhas da marca.

O consumo consciente é uma barreira a ser vencida , afirmou ao DCI o gerente de sustentabilidade, marcas e produtos da Natura, Keyvan Macedo.

Os produtos da linha como hidratantes, xampus e condicionadores têm posicionamento de preço mais baixo justamente por serem mais enxutos. Uma vez descartada, a embalagem ocupa menos espaço no lixo. Além disso, o consumidor consegue usar até a última gota , ressalta. A Sou foi a linha escolhida para a estreia da Natura nas redes de farmácia. Dado o tamanho do desafio, a aceitação tem sido dentro do esperado , pontua.

Macedo afirma ainda que a Natura busca outras alternativas para as embalagens da linha. Hoje, dificilmente esse tipo de plástico é reciclado. Seria a próxima evolução do produto.

Cápsulas reutilizáveis

A febre do café encapsulado trouxe à tona a dificuldade de reciclagem de cápsulas. Atenta à essa questão, a brasileira Priscila de Souza criou a startup Ecoreciclos, representante oficial da Mycoffeestar, fabricante suíça de cápsulas reutilizáveis. Feita de aço inoxidável, o artigo é compatível com máquinas Nespresso.

Este é o produto perfeito para consumidores realmente preocupados com a geração de lixo.

A cápsula precisa ser preenchida a cada dose – com o café de preferência do usuário – e a lavagem é feita só com água. Estimativa feita pela Ecoreciclos mostra que um quilo de café em cápsulas da Nespresso custa quase sete vezes mais do que uma versão orgânica de ótima qualidade , comenta Priscila.

Apesar do preço alto, ela garante que a cápsula vale a pena. A aceitação tem sido tão boa que estamos estudando trazer ao Brasil a versão compatível com a Dolce Gusto.

Por: Juliana Estigarríbi
Fonte: DCI

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