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Lucro dos grandes bancos recua 13,5% no trimestre

Os cinco maiores bancos de varejo do país voltaram a registrar queda nos lucros no segundo trimestre. Juntos, tiveram um resultado ajustado 13,5% inferior ao do mesmo período do ano passado, somando R$ 14,953 bilhões. Considerando o semestre, a queda nos lucros foi ainda maior: 29,6%.

Se os resultados do quinteto já viram dias melhores, em uma coisa Santander, Bradesco, Itaú Unibanco, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal parecem concordar: o pior pode ter ficado para trás. Sinal que suporta o princípio de otimismo, o lucro no segundo trimestre dos cinco cresceu 13,9% ante os três meses anteriores.

Mais uma vez, as despesas para fazer frente à piora da qualidade de crédito foram as grandes responsáveis pela queda nos resultados. Para digerir calotes bilionários de grandes empresas, os cinco bancos gastaram R$ 27,6 bilhões na constituição de provisões para devedores duvidosos no trimestre, cifra 31,3% maior que a de igual período do ano passado. Só na primeira metade do ano, os bancos se viram obrigados a fazer reservas para as recuperações judiciais da operadora de sondas do pré-sal Sete Brasil e da operadora de telefonia Oi.

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Também nas provisões, a comparação com os volumes gastos no primeiro trimestre favorece os bancos. As despesas com provisão entre abril e junho foram apenas 1% superiores às dos três primeiros meses do ano. Não fosse o gasto da Caixa, que cresceu 64,32% nessa comparação, teriam encolhido.

Para se ter uma ideia da magnitude do estrago que os calotes provocaram, as despesas com provisão consumiram 42% da margem financeira bruta dos bancos no segundo trimestre (R$ 65,7 bilhões). No mesmo período de 2015, a relação era de 34%. A margem financeira é o resultado das receitas que os bancos têm com crédito e com tesouraria deduzidas do custo de captação. Graças à queda dos custos para captar recursos e ao aumento de taxas de juros, a margem bruta subiu 6,2% no trimestre.

Nas entrevistas que acompanharam a divulgação de seus resultados trimestrais, os esforços de executivos desses bancos foi em apontar sinais de melhora à frente, embora sem deixar de reconhecer que a recessão econômica ainda vai continuar a cobrar seu preço.

“Nossa percepção é que ainda é prematuro, mas os índices de inadimplência de curto prazo têm se mostrado melhores”, afirmou Carlos Firetti, diretor de relações com o mercado do Bradesco, na conferência com analistas sobre os resultados. O banco espera encerrar o ano com uma taxa total de inadimplência ao redor de 4,9%. Em junho, o índice estava em 4,64%. “O impulso de crescimento da inadimplência pode estar se esgotando”, disse Luiz Carlos Angelotti, diretor de relações com investidores do Bradesco, também a analistas.

No Banco do Brasil, que viu seu lucro ajustado encolher 40,8% no segundo trimestre ante igual período do ano passado, a tentativa também foi de passar uma mensagem de um cenário melhor adiante. “Já temos os primeiros sinais de que caminhamos para estabilização do ciclo econômico”, disse a jornalistas Paulo Caffarelli, presidente do banco. Ele prometeu um banco com rentabilidade gradualmente melhor nos próximos meses. Também afirmou que o banco não trabalha com novos grandes casos de inadimplência daqui em diante.

O Santander também fez predição semelhante. “Não há, neste momento, tendências negativas que podem impactar o índice de inadimplência acima de 90 dias no terceiro trimestre”, disse o presidente do Santander Brasil, Sergio Rial, em entrevista a jornalistas. Angel Santodomingo, vice-presidente financeiro do banco, disse a analistas também enxergar indícios de estabilidade na economia brasileira.

Embora os calotes tenham cobrado um preço salgado e a carteira de crédito dos cinco tenha encolhido, outra importante fonte de receita dos bancos vai bem: o segmento de serviços e tarifas. Nos cinco bancos, foram R$ 29,4 bilhões em receitas de serviços no segundo trimestre, com avanço de 9,7% na comparação anual. No primeiro trimestre, o crescimento havia sido de 6,7%.

Por: Felipe Marques e Vinícius Pinheiro
Fonte: Valor Econômico

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