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O que agricultura de baixo carbono tem a ver com consumo consciente?

Consumidor brasileiro já buscar produtos mais sustentáveis, especialmente alimentos

Quando se fala em consumo consciente, o que vem à cabeça é um consumo baseado nas melhores escolhas possíveis. Mas o que isso tem a ver com a agricultura de baixo carbono? De acordo com Helio Mattar, diretor-presidente do Instituto Akatu – organização que trabalha pela conscientização e mobilização da sociedade para o consumo consciente -, tudo a ver. “Com práticas de manejo e produção mais sustentáveis, provoca-se menos impactos negativos no meio ambiente e na sociedade, sendo essa uma opção mais sustentável para o consumidor”.

Segundo Mattar, já existe uma predisposição do consumidor brasileiro em buscar produtos mais saudáveis e sustentáveis, especialmente alimentos. A percepção atual é que os consumidores têm aumentado a importância dada aos estilos sustentáveis de vida, o que inclui a alimentação saudável, os orgânicos e as refeições feitas em casa com ingredientes naturais, assim como conhecer a origem do que está colocando em sua mesa, produção, transporte, armazenamento, processamento e venda. E vários alguns desses itens, como sistema de produção, incluem a agricultura de baixo carbono.

Para o presidente do Akatu, termos difundidos pela mídia como “mudanças climáticas”, “Acordo de Paris”, “Objetivos do Desenvolvimento Sustentável” e “desmatamento” – principalmente na Amazônia – estão intimamente relacionados à agricultura de baixo carbono e podem estar contribuindo para esclarecer essa agenda um pouco mais junto à população.

Mas por que a agricultura de baixo carbono ainda sofre pela falta de conhecimento da população brasileira? Segundo Mattar, as escolhas do consumidor não são racionais e sim influenciadas pelo contexto no momento da ação, normas sociais enraizadas, “pistas” do ambiente físico que induzem a certo comportamento, entre outros vários fatores.

“A ciência comportamental aplicada ao consumo consciente ajuda a identificar barreiras que impedem os consumidores de agirem de acordo com seus valores”. Uma das barreiras mais conhecidas, de acordo com Mattar, é a dificuldade do indivíduo em enxergar a correlação entre seus atos de consumo e consequências negativas e cumulativas. Há também um distanciamento na percepção dos impactos ambientais no cotidiano das pessoas. “Um dos exemplos disso é exatamente a mudança climática: as pessoas a consideram extremamente séria e preocupante, só que para as outras pessoas, que estão longe, em outros países”, explica.

Sinal de alerta

“Saber que o potencial de adesão ao consumo consciente e à sustentabilidade já se expressa nos desejos dos consumidores é um sinal de alerta para empresas e lideranças em geral”, afirmou. De acordo com o presidente do Akatu, há uma série de pesquisas recentes que apontam essa preocupação do consumidor, tanto do ponto de vista da saúde quanto dos impactos ambientais. No entanto, questões ligadas à redução de carbono na produção ainda não aparecem nas enquetes.

Uma pesquisa realizada, em 2015, pela Proteste Associação de Consumidores para avaliar os hábitos alimentares dos brasileiros revelou, por exemplo, que de 760 entrevistados, 94% estariam dispostos a consumir mais produtos orgânicos se a oferta fosse maior. Outros 40% disseram que pagariam até 5% a mais em alimentos orgânicos e que garantam o bem-estar animal.

Também em 2015, um levantamento em escala global da consultoria Nielsen, intitulado “We are what we eat – Healthy eating trends around the world” (Nós somos o que comemos – Tendências alimentares saudáveis ao redor do mundo, em tradução livre), mostrou que 43% dos consumidores latino-americanos acreditam que produtos provenientes de cadeias sustentáveis são muito importantes e 45% deles afirmaram buscar ingredientes orgânicos.

Acompanhando essa tendência, ainda em 2012, o Instituto Akatu fez o estudo ‘Pesquisa Rumo à Sociedade do Bem-Estar’, o qual detectou que, ao valorizar mais o consumo consciente e as opções mais sustentáveis, o consumidor brasileiro também passou a ser mais exigente em relação à atuação das empresas. Ou seja, o comportamento das empresas hoje impacta diretamente na decisão de compra dos consumidores.

CINCO ASPECTOS COMO MOTIVADORES DE PREFERÊNCIA OU ADMIRAÇÃO POR DETERMINADAS EMPRESAS

“Um caso de bastante sucesso no Brasil é a certificação e rotulagem, especificamente para produtos com o selo FSC [Conselho de Manejo Florestal] que não provém de desmatamento ilegal. Sabemos que há a possibilidade de se instituir um selo “Carne Carbono Neutro”, por exemplo, que pode endereçar a questão de falta de informação e ajudar o consumidor a diferenciar os produtos”, afirmou Mattar.

Dada a importância da agricultura sustentável para o Brasil, principalmente para que o país possa atingir suas metas do Acordo de Paris, Mattar acredita ser necessário expandir o conhecimento sobre o que impede o consumidor de agir e aproximá-lo do conceito de ABC, “fornecendo informações com linguagem adequada, estabelecendo relações de causa efeito entre seus atos e impactos e, assim, estimulá-los a de fato consumir de maneira mais consciente”, finaliza Mattar.

O Instituto Akatu realiza diversos projetos para estimular os consumidores a serem mais críticos com relação aos alimentos que consomem. Ao longo de 2016, o Akatu também realizou a campanha #climamuitoloko, buscando aproximar o consumidor das mudanças climáticas e suas causas e consequências.

O Observatório ABC também entrou em contato com o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), o qual afirmou não ter porta-voz para comentar o tema. O Idec produziu, em 2005, o Manual de Educação para o Consumo Sustentável, no qual aborda a agricultura sustentável.

Fonte: Observatório ABC

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