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Bradesco fazia questão de ficar com o controle do banco BMG

Mais uma vez, foi a falta de flexibilidade do Bradesco em aceitar modelos alternativos de associação que levou o banco a perder a disputa pelo mineiro BMG, que ontem caiu nas mãos do concorrente Itaú Unibanco. O Bradesco fazia questão de ficar com 70% do capital do BMG.

Nos anos recentes, para mencionar apenas os maiores negócios, o Bradesco deixou de fazer acordo com o Unibanco e também com a seguradora Porto Seguro porque deparou-se com acionistas que não queriam simplesmente vender o controle e abrir mão das empresas que criaram – os Moreira Salles e os Garfinkel, respectivamente. Agora, o mesmo aconteceu com os Pentagna Guimarães, do BMG. O Itaú apresentou um desenho de transação que talvez os outros interessados pelo BMG não tenham vislumbrado. Não comprou o controle do banco, mas de fato passou a ser o controlador do que interessava (ver texto na página C1).

Segundo duas pessoas a par da operação, as conversas foram conduzidas ao longo do último fim de semana diretamente por Roberto Setubal, do Itaú, e Ricardo Guimarães e seu pai, Flávio Pentagna Guimarães, do BMG, sem a participação de terceiros. Na segunda-feira outras pessoas foram envolvidas para detalhar as condições do contrato. Ainda ontem, muita gente do Itaú soube da novidade juntamente com o restante do mercado.

O anúncio surpreendeu o BTG Pactual e o Bradesco, que vinham tentando fechar negócio com os Pentagna Guimarães há algum tempo e não haviam recebido indicação de que o Itaú também estava no páreo.

O BTG nunca escondeu o interesse pelo BMG e já havia tentado uma aproximação no passado. Com a intervenção no Cruzeiro do Sul, no início de junho, que complicou ainda mais a vida dos bancos menores, passou a investir com mais força para tentar ficar com a instituição mineira. As condições oferecidas, entretanto, não satisfizeram os Pentagna Guimarães.

O Bradesco vinha conversando com o BMG há cerca de 40 dias, mas na última semana ficou mais claro que as divergências no conceito da operação poderiam inviabilizar o negócio. Além da questão do controle, outro aspecto que desagradava o Bradesco era a prática do BMG de promover operações com por meio de correspondentes bancários. O Bradesco tem restrições ao modelo de oferecer o crédito fora de agências.

Na quinta-feira, um alto executivo do Bradesco viajou para Belo Horizonte e jantou com executivo do BMG, e, sem um entendimento, disse que o banco não seguiria adiante com as conversas, apurou o Valor. Foi o que pavimentou o caminho para que o Itaú fechasse o negócio.

Fonte: Valor Econômico

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