O domingo de sol quente e a baixa umidade contribuiram para as queimadas, em São Sebastião, no Jardim Botânico e em Planaltina. Nos sete primeiros meses do ano, o espaço queimado é 120% maior que em relação ao mesmo período de 2015
O domingo de sol forte e baixa umidade relativa do ar ficou marcado por três incêndios de grandes proporções na capital federal. O maior deles, em uma reserva do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre o bairro Jardins Mangueiral e o Complexo Penitenciário da Papuda. O Corpo de Bombeiros precisou de quatro caminhões, um avião carregado com água e 50 homens para controlar o fogo. Não houve feridos. Labaredas também atingiram áreas da Rodovia do Sol, no Jardim Botânico; e da região do Parque Águas Emendadas, em Planaltina. À noite, militares ainda combatiam pequenos focos.
Todas as equipes das unidades de São Sebastião e do Lago Sul precisaram ser deslocadas para atender a ocorrência no bairro vizinho. O fogo atingiu uma área próxima aos prédios residenciais do Condomínio Jardins Mangueiral. “A preocupação é que o fogo chegasse nas casas”, explicou o sargento Witalo Rodrigo, que comandou a operação.
Com balde
Até moradores se mobilizaram na tentativa de conter as chamas ao redor do Jardins Mangueiral. Com um pequeno balde, o aposentado Sebastião Vicente de Souza, 71 anos, tentava apagar pequenos focos de incêndio. “É ligeiro demais. Começou quase 14h e rapidinho pegou tudo.”
A cada dia, mais de 12 incêndios são registrados em áreas florestais do DF. Os dados mais recentes mostram que, até 20 de julho, os bombeiros atenderam 2.506 chamados, 1.366 a mais na comparação com os sete primeiros meses do ano passado, quando houve 1.140 registros – a variação é de 120%. As chamas já queimaram 4.925,82 hectares contra 12.685,08 hectares afetados durante todo o ano passado. Segundo o Corpo de Bombeiros, diariamente, 210 militares atuam no combate às chamas, mas o efetivo total fica de sobreaviso.
A temperatura mais alta do domingo foi registrada no início da tarde, quando os termômetros do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) marcaram 29ºC. Durante a madrugada, a temperatura caiu a 16,3ºC. A umidade relativa do ar variou entre 70% e 29%.
Não chove há 68 dias no DF (desde 18 de maio). “Nos próximos dias, a umidade pode ficar ainda mais baixa, entre 20% e 25%”, alertou o meteorologista do Inmet Manoel Rangel. O dia 14 ultrapassou o recorde de calor em julho, desde 1961. A temperatura alcançou 30,8ºC, e a umidade relativa do ar ficou em 22%. O índice mais baixo foi alcançado em 19 de julho, com 21%, segundo o Inmet.
30,8ºC
Temperatura mais alta do ano, registrada em 14 de julho, segundo o Inmet
Memória
Incêndios recordes
Os dois maiores incêndios em 2016 aconteceram em 24 de maio, no Parque Nacional, quando atingiu 451,4 hectares; e em 9 de julho, na região do Incra, com a destruição de 276 hectares. Para o Corpo de Bombeiros, a estiagem característica nesta época do ano no DF é um dos fatores que contribuem para o aumento dos registros. O combate às chamas do Corpo de Bombeiro é realizado tanto em terra como em sobrevoos. Caminhões preparados da corporação transportam até 3 mil litros d”água durante um combate. Também são utilizados carros que transportam equipes menores para fazer o reconhecimento da área queimada ou agir em intervenções rápidas.
Fonte: Correio Braziliense






