Em vários locais da Argentina acontecem fortes protestos contra o acordo assinado na última terça-feira pela petroleira estatal argentina YPF/ Repsol e a norte-americana Chevron (antiga Texaco) para explorar parte da jazida Vaca Muerta (Sul), uma das maiores reservas de hidrocarbonetos não convencionais do mundo. A Yacimientos Petrolíferos Fiscales (YPF) é uma estatal argentina dedicada à exploração, refino e venda do petróleo e seus produtos derivados.
O presidente da YPF, Miguel Galluccio, disse à imprensa ontem que a “associação é estratégica para a Argentina. Estamos colocando em produção um recurso que pode mudar o futuro energético do país”. Mas não é o que os movimentos sociais e, principalmente, os indígenas mapuche acham. O acordo é para exploração de Loma La Lata Norte, cerca de 360 km² dos 12.075 Km² que a YPF possui na formação geológica de Vaca Muerta, jazida de petróleo e gás de xisto.
“A YPF está trazendo a pior empresa do mundo, que é a Chevron”, disse Lefxaru Nahuel, porta-voz da Confederação Mapuche de Neuquén. Os Indígenas mapuche ocupam desde a terça-feira dois poços de petróleo em Vaca Muerta, da Comunidade Maripe. A ocupação pacífica dos quatro poços por uma centena de mapuches levou à suspensão da atividade na jazida a 1.100 km a sudoeste de Buenos Aires. “Nossa luta é contra a hidrofratura (sistema que destrói a rocha), que é contaminante. E nossa posição é de não permitir a entrada da Chevron na terra mapuche”, disse enfático, embora a YPF negue que os poços tomados no protesto estejam em território mapuche.
Lefxaru Nahuel afirma que pensam em instalar 1.550 poços com a ulilização de milhões de litros de água por dia com mais de 900 tipos de produtos químicos, muitos dos quais cancerígenos e que propiciam as infecções pulmonares.
Chevron foi condenada no Equador
O prêmio Nobel da Paz , Adolfo Pérez Esquivel, foi um dos que criticou o acordo publicamente que ” a YPF foi expropriada da Repsol para recuperar nossa soberania energética e por isso apoiamos a iniciativa naquele momento. Mas mediante este acordo com a Chevron, estamos entregando nossos recursos aos EUA e transformando a YPF em uma empresa altamente contaminante, que usará o método conhecido como fracking (fratura)”. Os técnicos da YPF negaram que a tecnologia utilizada gere contaminação aos aqüíferos, mas não convenceram os movimentos que estão nas ruas.
Esquivel, que é presidente do Serviço de Justiça e Paz da Argentina, elogiou a “atitude correta” de alguns membros da diretoria da YPF que renunciaram seus postos para não serem cúmplices desta entrega e disse que o contrato com a Chevron-Texaco só é possível “graças ao decreto emitido pela Corte Suprema de Justiça Argentina, que levantou um embargo de 19 bilhões de dólares à transnacional, outorgando impunidade a uma empresa condenada pela justiça equatoriana porque desconhece um processo que o Estado do Equador e as comunidades indígenas ganharam por haver devastado o meio ambiente e violado os direitos humanos naquele país”.
A Chevron foi condenada no Equador por contaminar 500 mil hectáres e por não cumprir as sucessivas ordens judiciais de ajuste de conduta. Foram milhões de litros de petróleo derramados, rios e lagos contaminados, casos de câncer e abortos espontâneos e 30.000 pessoas afetadas.
Fonte: Adital







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