A cinco dias do fim da 18ª Conferência das Partes sobre Mudanças Climáticas (COP18), a responsável pelo tema nas Nações Unidas, Christiana Figueres, demonstrou desânimo em relação aos avanços que a comunidade internacional tem conseguido na luta contra o efeito estufa. “O que me frustra é que estamos muito longe do que a ciência nos indica que devemos fazer”, afirmou a diplomata, em entrevista coletiva ontem.
Figueres se referia aos alertas que não param de chegar a Doha, no Catar, onde é realizada a conferência da ONU. Um dos últimos foi um estudo apresentado para os participantes da cúpula segundo o qual, no ritmo em que aumentam as emissões de dióxido de carbono, a elevação da temperatura média na Terra pode superar 5ºC em 2100, ou seja, três graus a mais do que os cientistas apresentam como o limite a partir do qual o sistema climático pode se desequilibrar completamente.
Apesar da frustração, Figueres procurou destacar os pontos positivos que devem resultar do encontro no Catar, com término previsto para a sexta-feira. “No fim da conferência de Doha, teremos aprovado as emendas necessárias para entrar em um segundo período de compromisso do Protocolo de Kyoto a partir de 1º de janeiro de 2013”, disse.
A prorrogação do protocolo, único instrumento que obriga as nações desenvolvidas a reduzirem suas emissões de carbono em relação aos níveis de 1990, é apontado como o principal objetivo da COP18, ao lado das negociações sobre a ajuda financeira às nações mais pobres para aderir a uma economia verde. Após a extensão de Kyoto, a ideia é amarrar, em 2015, um novo acordo internacional que, se tudo der certo, será respeitado também pelos Estados Unidos — apesar de os norte-americanos serem os maiores poluidores do mundo, eles nunca ratificaram o documento. Outro ponto em discussão é se esse acordo futuro, que entraria em vigor a partir de 2020, incluirá metas para países em desenvolvimento como a China, a Índia e o Brasil.
Mesmo que Figueres tenha se mostrado confiante na definição da fase 2 de Kyoto, muitos debates devem ser feitos até a sexta-feira. Há divergências fortes entre os países ilhas, muito vulneráveis ao aumento do nível dos mares, e a União Europeia. Enquanto os europeus defendem a validade da extensão do protocolo até 2020, as nações insulares brigam para que ela só valha até 2017.
Fonte: Correio Braziliense







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