you're reading...

Em Português

BTG compra Bamerindus por R$ 418 mi

O Bamerindus saiu de cena em 1998, ao entrar em processo de liquidação extrajudicial. Mas voltou aos holofotes ontem, quando o BTG Pactual anunciou a compra do banco paranaense, interessado em aproveitar ativos que estão paralisados na instituição – principalmente, créditos fiscais.

O BTG pagará R$ 418 milhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), maior credor do Bamerindus, em cinco parcelas anuais. O Valor PRO, serviço de informações em tempo real do Valor, antecipou no fim da tarde que a operação seria anunciada ainda ontem ao mercado.

Com o acordo, o BTG passa a deter 98% do capital do Bamerindus, que sairá do processo de liquidação. A operação também envolve “a aquisição dos direitos creditórios e ativos detidos pela instituição, que serão utilizados futuramente no contexto das atividades de crédito do BTG Pactual”. Ficou de fora do acerto a marca Bamerindus, que pertence ao HSBC.

Um dos principais ativos que restam no Bamerindus após sua liquidação são cerca de R$ 2 bilhões em créditos tributários que poderão ser aproveitados para abater o pagamento de impostos do grupo.

Por enquanto, esses ativos tributários estão dormentes dentro do Bamerindus. Eles só poderão ser ativados depois que o banco sair da liquidação.

Não é apenas esse, porém, o interesse do BTG. Segundo apurou o Valor, o banco também tem em vista outros ativos do Bamerindus. Passada uma década e meia desde a intervenção do Banco Central (BC), a instituição ainda tem uma carteira de créditos em execução judicial e uma série de imóveis que foram dados em pagamento por diversos devedores.

A aposta do BTG é que, fora do processo de liquidação, esses ativos poderão ser geridos de forma menos engessada e gerar valor ao banco.

A compra do Bamerindus pelo BTG vai viabilizar o pagamento de 100% dos credores do banco paranaense. Com o dinheiro, serão pagos neste momento o BC, o Tesouro Nacional e o FGC. O único credor que sofrerá desconto nesse processo é o FGC.

O ex-banqueiro, ex-senador e ex-controlador do Bamerindus, José Eduardo de Andrade Vieira, disse que não estava sabendo da negociação que culminou na venda da massa falida do Bamerindus para o BTG Pactual, anunciada hoje. “Fiquei sabendo agora”, disse ele, que passou o dia acompanhando o plantio de milho na fazenda em que mora, em Joaquim Távora (PR), a 340 quilômetros ao norte de Curitiba. “Sabia que quem tem muito imposto a pagar tinha interesse”, acrescentou.

O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) pagou, no ano passado, uma parte do valor a que os antigos acionistas do Bamerindus tinham direito depois que encerrou as ações judiciais com os credores do banco. O pagamento da outra parte do valor ficou condicionada à venda do banco, o que aconteceu agora. “Soubemos que havia um banco menor e outro grande analisando o negócio”, contou uma fonte, que não quis ser identificada.

Segundo Vieira, o valor de R$ 418 milhões oferecido pelo BTG ficou abaixo da expectativa. “Esperava mais de R$ 1 bilhão”, comentou. Questionado sobre quanto ele ainda tem a receber, ele respondeu que “é pouca coisa”, sem revelar valores. “É preciso saber as condições do negócio, para saber se terá saldo.”

Vieira afirmou que não acompanhou o assunto de perto e não está recebendo notícias. “Minha televisão estragou esses dias. Não estou sabendo de nada”, contou.

Fonte: Valor Econômico

Comentários

Nenhum comentários.

Comentar

Newsletter

Banners



Outros Sites

Parceiros