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Plano prevê nacionalização da CSA

Para apoiar a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) em seu plano de aquisição dos ativos de aço do grupo alemão ThyssenKrupp no Brasil e no Estados Unidos, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), por meio de seu braço de participações BNDESPar, deverá aportar até R$ 4 bilhões no negócio, conforme apurou o Valor com fontes próximas das negociações entre o banco e a empresa. A operação de venda, conduzida por dois grandes bancos de investimentos, está prevista para ser fechada neste trimestre.

O aporte do banco é a forma que se encontrou para viabilizar o projeto de aquisição da companhia do empresário Benjamin Steinbruch. A CSN, segundo informações não confirmadas pela empresa, está disposta a desembolsar US$ 3,8 bilhões (quase R$ 8 bilhões) pela ThyssenKrupp Steel Americas (TKSA), holding que controla os dois negócios siderúrgicos. A BNDESPar entraria como sua sócia na compra da TKSA.

O apoio com capital do banco é fundamental para evitar que o negócio comprometa o perfil financeiro da CSN. Conforme cálculos de analistas, a relação entre dívida líquida e resultado operacional (Ebitda – lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) alcançaria índice acima de cinco vezes se desembolsar 100% do valor da compra. No fim de setembro, a relação era pouco superior a três vezes.

Aquisição, seguida de fusão, daria à CSN mais de 60% de uma nova companhia; o BNDES teria em torno de 30%

No fim de setembro, a CSN tinha um robusto caixa de R$ 15 bilhões, porém, com um endividamento bruto de R$ 30 bilhões. A dívida líquida, avaliam, daria um grande salto, o que deixa os investidores em ações da siderúrgica de Steinbruch incomodados.

Segundo as fontes, a direção do BNDES acatou a proposta de apoio à CSN, que foi bem-vista no governo. O argumento é que permitirá nacionalizar um ativo siderúrgico do país hoje sob controle de capital estrangeiro. É o contrário do que ocorreu com a antiga CST e a Acesita, em 1998, que acabaram em poder de um grupo francês que depois se foi vendido para a Mittal . Outro exemplo é a Usiminas: a entrada dos argentinos da Techint, somada com a participação dos japoneses, consolidou o controle de grupos estrangeiros na empresa. Em ambos os casos, a CSN tentou comprar os ativos, mas saiu derrotada.

Na área técnica do banco não há muito entusiasmo com a operação de apoio à CSN. A relação de Steinbruch com o banco está estremecida desde 2006, quando a Vicunha Siderurgia (holding que controla a CSN) processou o banco em uma operação de conversão das debêntures da Vicunha, emitidas durante o descruzamento societário com a Vale. Esse litígio, no entanto, não é empecilho para comprar a TKSA.

Procurados, o BNDES informou que não comenta o assunto, e a CSN comunicou por meio da assessoria de imprensa que também não se pronunciaria.

No momento, com grandes chances de vencer a disputa, Steinbruch mira dois ativos de peso que podem posicionar a CSN como um grande grupo siderúrgico da América Latina, ao lado de Gerdau, ArcelorMittal e Techint. Hoje, é o quarto produtor de aço brasileiro, tem uma usina na Alemanha e duas laminadoras no exterior (EUA e Portugal).

A CSA, usina de aço semi-acabado (placas) da ThyssenKrupp, localizada em Santa Cruz, no Rio, tem capacidade de 5 milhões de toneladas por ano. A laminadora de chapas automotivas de alto padrão do Alabama, no sul dos EUA, está apta a fornecer mais de 4 milhões de toneladas por ano, tendo como mercado-alvo várias montadoras de automóveis. Os dois ativos foram colocados à venda em maio de 2012, após pesados prejuízos sofridos devido ao elevado custo de instalação e ao momento ruim da siderurgia no mundo. Para montar esses ativos, o grupo alemão gastou US$ 12 bilhões.

O modelo da operação, conforme apurou o Valor, envolve a separação dos atuais ativos de aço da CSN – as usinas de Volta Redonda (RJ) e da Alemanha e as laminadoras nos EUA (em Indiana) e em Portugal. Essas unidades passariam a compor uma nova empresa, a “CSN Siderurgia”, que depois seria incorporada pela CSA. Essa operação tem como objetivo se apoderar dos elevados créditos fiscais com os prejuízos acumulados pela siderúrgica.

Como resultado dessa fusão, que não envolveira a mina de ferro Casa de Pedra, a CSN ficaria controladora com cerca de 60% do capital da nova empresa. A BNDESPar teria em torno de 30% e a Vale (dona de 27% da CSA), uma participação minoritária.

Segundo apurou o Valor, o desenho com o BNDES, a princípio, não agrada a Vale. A CSN é vista como uma concorrente direta da empresa por ser também mineradora. A Vale tem direito de vetar um concorrente na operação de venda da CSA, mas pode mudar de ideia caso seja convencida por escalões superiores do governo do benefício do apoio do banco para o setor industrial do país.

O banco é credor de R$ 2,4 bilhões da CSA, em empréstimos realizados em 2007 e 2010, ano em que iniciou a operação, depois de seguidos atrasos nas obras de instalação da usina.

A CSN estuda, ao mesmo tempo, para amenizar o impacto do negócio em seu caixa, o lançamento de emissão de debênture lastreada nas ações ordinárias e preferenciais que detém da Usiminas. Esses papéis correspondem a cerca de 16% do capital total da siderúrgica mineira.

A Ternium, apurou o Valor, está bastante incomodada com o apoio do BNDES à CSN na operação de aquisição da CSA. O braço siderúrgico da Techint é forte candidata a fazer uma oferta pelo controle do complexo siderúrgico de Santa Cruz. No entanto, se o banco financiar a CSN, a Ternium ameaça desistir por se sentir em desvantagem. É uma decisão política contra a qual o grupo ítalo-argentino não pode brigar.

A oferta vinculante dos interessados nos dois ativos tem prazo para ser apresentada até o dia 15 de fevereiro. Além da Ternium, os concorrentes da CSN são a ArcelorMittal e a americana Nucor. Ambas querem levar apenas na laminadora do Alabama, pela qual fizeram ofertas iguais de US$ 1,5 bilhão.

Fonte: Valor Econômico

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