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Por investimento, BNDES deve reduzir crédito de curto prazo

Para garantir o financiamento aos investimentos em infra-estrutura e à ampliação da produção industrial, o BNDES deve remanejar, para essas operações, recursos hoje destinados a linhas de curto prazo criadas recentemente, como as oferecidas para capital de giro das empresas, informou o presidente da instituição, Luciano Coutinho, ao Valor PRO, o serviço de informação em tempo real do Valor.

Ele negou que o BNDES vá financiar a compensação às empresas elétricas pelo corte nas tarifas de energia, e, com base nas avaliações do banco, previu que, em 2014, o saldo do comércio exterior do Brasil ficará em torno de US$ 21 bilhões, maior que em 2012.

“Temos de trabalhar dois pontos importantes: um é olhar dentro da capacidade do BNDES que linhas foram desenvolvidas no ano passado, como as relacionadas a giro, que podem ser enxugadas”, disse Coutinho, sobre planos de financiamento ao investimento, após encontro com empresários e autoridades estrangeiras no Fórum Econômico Mundial, em Davos. “A prioridade é financiar o crescimento dos investimentos”.

Ele disse que o tema ainda será discutido no governo. “Ainda vou conversar com meus superiores e com a equipe econômica, mas me parece que teremos de ajustar nossa capacidade a esse quadro que está se desenhando que é de expansão de investimento.”

Paralelamente, o BNDES vem discutindo com associações de investidores do mercado aberto e de banco para desenvolver mercados para papéis privados de renda fixa de longo prazo. “Estamos preparados para trabalhar em conjunto, melhorar as condições de confiabilidade [dos papéis], de parceria, inclusive, compartilhando garantias de forma a criar mais confiança nesses instrumentos”, afirmou.

Segundo Coutinho, os novos mecanismos de financiamento privado ao investimento de longo prazo deverão estar definidos até o fim de fevereiro, a tempo de fazer parte do cardápio a ser apresentado pelas autoridades no road show previsto para o começo do ano com investidores no exterior.

Nos encontro em Davos, nos quais falou com cerca de 20 altos executivos de multinacionais, Coutinho recebeu confirmação de investimentos anunciados por empresas já instaladas no Brasil e o anúncio, por outras companhias, de que em breve farão consultas ao banco sobre empréstimos para explorar o mercado brasileiro.

“A pergunta que me fizeram em Davos foi o quanto o Brasil vai crescer”, disse. “Não há dúvida de que o país vai crescer em 2013 e até mais em 2014”, se a situação global não azedar. Sondando o sentimento de executivos, Coutinho percebeu que os interessados no Brasil seguem, em geral, o clima que marcou boa parte do Fórum de Davos neste ano, de alívio com a superação das ameaças do ano passado à sobrevivência do euro e da União Europeia. “Eu poderia ser um pouquinho mais cauteloso, talvez haja um pouco de exagero, mas não é nada fora do contexto”, afirmou.

Coutinho considera como “divisor de águas” o anúncio do presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, em meados do ano passado, de que não haveria limite para a dívida bancária dos países europeus e que aceitaria até papéis de garantia privados, comprando os bônus que fossem necessários para evitar o colapso de países endividados. Draghi, com o anúncio, acabou com o temor de crise da dívida soberana em países como Itália e Espanha. “Em relação às expectativas, o cenário nacional é incomparavelmente melhor que no ano passado”, afirmou Coutinho.

“No primeiro semestre de 2012, o crescimento da economia brasileira, se projetado para 12 meses, ficou em 0,5%. No segundo semestre, pulou para 2,5%”, calculou o economista. Ele imagina ver essas novas expectativas transformarem-se em investimento direto no Brasil, garantindo, em 2013, patamares equivalentes ou maiores do que em 2012, em torno de US$ 60 bilhões a US$ 70 bilhões.

Caso não se frustrem as expectativas de superação da crise levantadas em Davos, o Brasil, beneficiado por medidas recentes, como a queda de juros e valorização do real, além do corte de impostos sobre folha de pagamento e das tarifas de energia, terá um impulso positivo no comércio exterior e alta significativa de investimentos em infra-estrutura produtiva, a chamada formação bruta de capital fixo, diz Coutinho. Ele já previu um aumento de 5,5% na formação bruta de capital fixo, mas promete um esforço para subir essa cifra a 8%.

Nos últimos dois meses de 2012, cresceu muito o número de consultas ao banco para investimentos em infra-estrutura, em áreas como energia, petróleo e gás, informou. Ele prevê ainda, com a retomada da demanda, aumento de investimento nos setores automobilístico, de telecomunicações e eletroeletrônico. Coutinho defendeu as exigências de conteúdo nacional, que o governo vem impondo a um número cada vez maior de setores candidatos a financiamento oficial e disse que há “fantasia e desinformação” sobre o tema.

“Tem gente repetindo bobagem falada no Brasil, dizendo que baixou a curva de produção da Petrobras porque o governo exigiu conteúdo local”, queixou-se Coutinho. Quem atrasou o fornecimento de sondas à empresa, numa média de doze meses, foi a fornecedora estrangeira a quem a Petrobrás encomendou sondas de exploração, lembrou. O governo, diz, tem prazos e critérios flexíveis para acomodar as necessidades das empresas compelidas a elevar o conteúdo nacional em seus produtos.

Coutinho afirmou que o BNDES não foi “alistado” entre as alternativas para financiar o corte das tarifas. “O que não for suficiente terá de ser coberto por transferências [do Tesouro], não por ajuste financeiro”, comentou. “O BNDES já trabalha com o setor em condições tão favorecidas que não me parece ter muito espaço para aumentar [os recursos destinados].”

Nas próximas semanas, o governo fará um road show para atrair investimentos de infra-estrutura. Até lá, estarão definidos novos instrumentos para dar maior participação do setor privado no financiamento dessas operações. “Estamos preparados para trabalhar em conjunto, melhorar as condições de confiabilidade [dos papéis], de parceria, inclusive, compartilhando garantias de forma a criar mais confiança nesses instrumentos.”

Por: Sergio Leo
Fonte: Valor Econômico 

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