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Barbosa oficializa saída

Nelson Barbosa, secretário-executivo do Ministério da Fazenda, o número dois da pasta, anunciou oficialmente que deixará o cargo em junho. Para parte do mercado, a informação é um alívio por eliminar a possibilidade de ele migrar, em algum momento, para o Banco Central. Todas as vezes que o nome do economista foi cogitado para um posto na autoridade monetária, houve tensão entre os investidores. A visão é de que Barbosa, explicitamente a favor do intervencionismo estatal, acabaria de vez com a autonomia e a credibilidade da casa. Para a diretoria do BC, a saída dele representa o afastamento de um desafeto. Em conversas reservadas com participantes do mercado, integrantes da alta cúpula da instituição teriam ponderado que seria péssimo até mesmo se ele se tornasse o comandante da Fazenda.

O secretário executivo começou a ser minado quando ganhou destaque, após a eleição da presidente Dilma Rousseff, por ter sido um dos coordenadores do programa econômico dela. À época ele foi cotado para assumir o posto de Guido Mantega, situação que o tornou uma ameaça para o ministro e para o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin. Nos bastidores, fala-se ainda que o presidente do BC, Alexandre Tombini, também teria colaborado para diminuir os poderes de Barbosa.

Para integrantes do governo, Barbosa deixa o Executivo também frustrado por não ter emplacado como queria a reforma do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Uma das funções dele no posto era convencer secretarias estaduais de Fazenda e parlamentares a aderir ao projeto de mudanças nas regras do tributo. A proposta desenhada, que foi apreciada na última semana na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, acabou aprovada, mas com tantas emendas que o Palácio do Planalto se considerou derrotado. Na visão do Executivo, na forma como ficou, o texto tornaria o sistema mais confuso do que o modelo atual.

Em vez de consolidar apenas duas alíquotas nas operações interestaduais, de 4% e de 7%, como queria o Planalto, os parlamentares desfiguraram o projeto. Uma das mudanças estendia os 12% da Zona Franca de Manaus para as demais áreas de livre comércio do Brasil. O mesmo percentual foi colocado também para as operações com gás natural importado. Essas e outras alterações, inclusive, fizeram a Fazenda pensar em desistir de oferecer R$ 500 bilhões em compensações para os estados que fossem prejudicados com a reforma.

Em nota divulgada pela Fazenda, o ministério informou que o secretário pediu exoneração “por razões pessoais”. “Oportunamente, o ministro Guido Mantega definirá o nome do novo secretário executivo. O atual secretário executivo-adjunto, Dyogo de Oliveira, deverá assumir o cargo interinamente no lugar de Barbosa”, informou o comunicado.

Fonte: Correio Brasiliense

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