Após o acidente nuclear ocorrido na usina de Fukushima, a política energética do Japão está tomando outros rumos, mais favoráveis ao desenvolvimento das fontes renováveis, em especial a solar. O país, inclusive, poderá se tornar o maior mercado solar em 2013, segundo novos dados da Bloomberg New Energy Finance (BNEF).
As informações da Bloomberg afirmam que, neste ano, a nação deve instalar entre 6,9 e 9,4 gigawatts (GW) de capacidade solar, o que pode ser mais do que a sua atual capacidade instalada, de 7,4 GW. As atuais estimativas da BNEF aumentaram em relação às anteriores, que apontavam para uma previsão de 6,1 a 9,4 GW instalados em 2013.
Todo esse crescimento do setor solar japonês está relacionado ao desastre de Fukushima, já que, depois do incidente, todos os 50 reatores da nação foram desligados, sendo que até agora apenas dois foram reativados.
Desta forma, o Japão precisou investir em novas fontes de energia para suprir as necessidades da população, e o ex-primeiro-ministro Naoto Kan negociou sua renúncia em troca da aprovação de uma série de leis para estimular o desenvolvimento das fontes renováveis. De acordo com Kan, até 2020 o país deveria ter um quinto, ou 20%, de sua energia fornecida por renováveis, sendo que, na época, essa porcentagem era de 10%.
Uma das propostas aprovadas pelo governo japonês foi a adoção das chamadas tarifas feed-in, espécie de imposto que obriga as concessionárias a comprarem eletricidade de fontes renováveis por preços fixos. A taxa, que mantém os preços em índices artificialmente altos, tem como objetivo ser um investimento inicial para desenvolver as renováveis.
Nesse cenário, a infraestrutura da energia solar ganhou destaque dentre as outras fontes limpas, já que, ao contrário da geotérmica e da eólica, cujas instalações precisam de estudos de impacto antes de serem implantadas, pode ser mais facilmente implantada. Além disso, as tarifas feen-in solares são mais generosas do que dos outros setores renováveis.
Com tudo isso, o Japão está fazendo uma rápida escalada rumo ao topo dos maiores mercados solares do mundo, no qual a Alemanha ocupa atualmente o primeiro lugar, seguida da Itália. Nos últimos anos, China e Estados Unidos também tem aumentado rapidamente sua capacidade instalada, e a previsão é de que instalem entre 6,3 e 9,3 GW e entre 3,7 e 4,3 GW, respectivamente. Agora o Japão se une a eles na briga para ver quem se tornará o mercado com maior crescimento em 2013, e, em última análise, o maior mercado solar do mundo.
“A menos que o governo chinês se mexa muito rapidamente para esclarecer as remunerações solares para projetos desenvolvidos em telhados , ou os desenvolvedores de projetos japoneses se mexerem mais vagarosamente do que o esperado, o Japão será o maior mercado fotovoltaico em 2013”, observou a BNEF.
Por: Jéssica Lipinski
Fonte: Instituto CarbonoBrasil







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