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Especialista afirma que taxa de carbono ligada à flutuação da temperatura seria eficiente

Uma taxa de carbono que variasse com a elevação das temperaturas pode ser a ferramenta de melhor custo-benefício para reduzir as emissões de dióxido de carbono e para frear o ritmo das mudanças climáticas. Mas colocar o mecanismo em funcionamento será um desafio imenso por causa dos conflitos políticos, afirma o proponente da nova taxa.

Ross McKitrick, professor de economia da Universidade de Guelph, no Canadá, sugere a criação de uma taxa que comece com um valor baixo, mas que aumente ou diminua obedecendo a algum tipo de fórmula matemática que leve em conta a variação da temperatura da atmosfera terrestre.

Tal sistema poderia ajudar investidores e políticos a entenderem como o clima – e a taxa – flutuaria no futuro e serviria de incentivo para ações de mitigação e adaptação.

Investidores poderiam tomar decisões baseadas em quão confiantes estão nas previsões climáticas, e o sistema premiaria aqueles que estivessem mais corretos. “Você acabaria fazendo a coisa certa não importa o resultado. Você apenas não saberia no momento inicial.”

Melhor modelo climático mundial?

“Uma quantidade imensa de esforços seria colocada na busca de modelos climáticos mais precisos”, afirmou McKitrick, durante uma palestra na Câmara dos Lordes no Parlamento Britânico.

Teoricamente, a taxa de carbono é a maneira mais eficiente de reduzir as emissões de CO2, defende o pesquisador. Porém, na prática, as taxas de carbono – como as existentes na Austrália, Finlândia e no estado norte-americano do Colorado – apresentam resultados diferentes, pois costumam ser enfraquecidas por conflitos políticos.

Muito do problema está no quanto a taxa deve variar conforme o tempo, explica McKitric. “Mesmo nos casos em que as pessoas concordam com o valor inicial, sempre há divergências sobre os ajustes futuros.”

Isso é fruto das opiniões conflituosas sobre os riscos associados ao aquecimento global. Aqueles mais preocupados defendem que a taxa suba rapidamente. Já os que não enxergam urgência, querem que ela nunca suba.

McKitric acredita que sua proposta poderia eliminar essa discussão.

Mas colocar em prática a taxa em todos os países não seria fácil. “Você teria que se livrar de outras medidas que bagunçam essa área. Nenhum país pode adotar essa taxa até que sejam desmanteladas todas as políticas climáticas ineficientes.”

Por causa disso, o pesquisador pensa que um país emergente poderia estar interessado em testar a taxa de carbono ligada à temperatura. “É uma política de baixo risco, mas que é válida o suficiente para ser testada. Os lugares mais improváveis para implementar essa ferramenta seriam países como o Reino Unido, onde existem inúmeras políticas estabelecidas e vários interesses vinculados a elas.”

Sobre a questão do que fazer com os recursos levantados pela taxa de carbono, McKitric aponta que o ideal é que sejam aproveitados para cortar outros impostos. Se isso não for feito, a taxa de carbono seria um peso para a economia – e um risco político.

Fonte: Reuters
Traduzido por Fabiano Ávila

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