Frente a uma plateia de empresários, políticos e trabalhadores, a presidente Dilma Rousseff criticou abertamente os bancos e defendeu a queda dos juros e dos spreads bancários (diferença entre o que a instituição paga para captar e o que ele cobra para emprestar). Classificou esses custos como “tecnicamente de difícil explicação” e sinalizou que vai pressionar o setor a reduzir essas taxas. As afirmações da presidente ocorreram, ontem, durante a divulgação de incentivos à indústria nacional, uma complementação do plano Brasil Maior. Uma segunda etapa desse estímulo ao setor produtivo está programado para ser lançada ainda na próxima semana, quando Banco do Brasil e Caixa Econômica devem divulgar um pacotão de crédito e entrar pesado na competição com outros bancos com reduções expressivas de spreads e juros.
Durante o discurso, a presidente indicou que o setor bancário privado está deixando a desejar e garantiu: “Nós estamos fazendo a nossa parte”. A afirmação de Dilma foi também uma resposta às críticas do presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Patah, que fez discurso inflamado contra os bancos e cobrou mais ações do governo minutos antes da presidente falar. “Queremos sim juros e spreads menores no Brasil. Com isso, as empresas vão poder investir na expansão da produção, na modernização do processo produtivo, na geração de inovações”, respondeu a presidente.
Murilo Portugal, presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), estava na platéia, porém, sem prestígio junto ao governo, ficou escondido em meio ao público e não teve oportunidade de responder às críticas da presidente e do sindicalista. A falta de proximidade do representante dos bancos com o Palácio do Planalto é tamanha que Portugal nem sequer entrou pela porta das autoridades, teve de enfrentar uma longa fila em meio aos populares para assistir a apresentação das medidas.
Por: Victor Martins
Fonte: Correio Braziliense







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