A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) continua desconfortável com as pressões do governo para que o setor reduza juros aos consumidores. Durante coletiva eletrônica para apresentar projeções e uma análise da economia nacional e internacional, o economista-chefe da instituição, Rubens Sardenberg, fugiu das perguntas relacionadas às declarações feitas pela presidente Dilma Rousseff no pronunciamento de 1º de maio, durante o qual criticou duramente os juros cobrados pelas instituições financeiras. Sardenberg limitou-se a falar sobre os temas como a taxa de crescimento do país, câmbio, inadimplência e crédito, ou seja, apenas as questões de interesse da instituição que representa a banca privada do país.
Para não ser interpelado diretamente, as perguntas dirigidas ao economista foram enviadas pela internet e apenas as selecionadas eram respondidas. Durante a apresentação, a Febraban ainda fez questão de informar expressamente que não abordaria qualquer tema relacionado à estratégia adotada pelo governo para que os bancos reduzam juros. Sardenberg, por aproximadamente 40 minutos, falou sobre as perspectivas para o país. “Nossa pesquisa mostra a economia em recuperação, mas em ritmo um pouco mais lento, como está descrito na ata do Copom (Comitê de Política Monetária)”, observou.
Selic Pelos dados coletados pela Febraban, o setor bancário espera mais duas reduções na taxa básica de juros (Selic), uma queda de 0,25 ponto percentual na reunião do Copom de 29 e 30 de maio e mais uma no mesmo valor em 10 e 11 de junho. “Embora haja alguma divergência, nossa projeção é de que a Selic vai cair para 8,5% ao ano”, disse Sardenberg.
O economista ainda falou sobre a expansão da carteira de crédito do setor, informou que espera um crescimento de 16% a 17%, porém não mencionou se esse incremento leva em conta a redução das taxas de juros nos bancos públicos e a possibilidade de aumento de demanda por empréstimos e financiamentos nessas instituições. “Temos expectativa de juros menores este ano e expansão do crédito nessa faixa de 16%. Do ponto de vista da inadimplência corrente, há uma expectativa de que esse 5,7% caia para 5,3% no fim do ano”, calculou.
Fonte: Correio Braziliense







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