A degradação da atividade de serviços ampliou as inquietações sobre o crescimento econômico global, e a expectativa está agora em ações do Banco Central Europeu (BCE) hoje e provavelmente do Federal Reserve (Fed, o BC americano) na semana que vem.
O Índice de Gerente de Compras (PMI) composto (industrial e de serviços) de agosto caiu para 46,3 em agosto ante 46,5 em julho, no sétimo mês consecutivo de contração (número inferior a 50 indica contração da atividade e acima disso indica expansão).
A deterioração é encabeçada pelas manufaturas, mas os dados publicados ontem pela consultoria Markit mostram que o setor de serviços continuou a se contrair.
O índice de serviços para a zona do euro, China, Japão, Índia e Rússia indica coletivamente que a economia global toma o rumo de outro trimestre desapontador, liderado por um retorno da recessão nos países da moeda comum europeia, conforme a consultoria.
“O forte declínio em novas encomendas nos fornecedores de manufaturas e serviços, além de mais perdas de empregos, significa que há poucas possibilidades de melhora sustentável nas condições econômicas no curto prazo”, acha Rob Dobson, da Markit.
Na zona do euro, o PMI de serviços mostrou sinais de “declínio acelerado” na Alemanha. Com isso, todas as quatro maiores economias da zona do euro (Alemanha, França, Itália e Espanha) têm sólidas taxas de declínio da atividade – com situação mais grave na Espanha e na Itália.
A preocupação com a Europa foi seguida ontem pela baixa no PMI de serviços para a China, de 53.1 para 52.0, confirmando estagnação da economia chinesa em agosto. Segundo a Markit, como os dados sugerem que o crescimento econômico pode diminuir de novo no terceiro trimestre, as autoridades chinesas podem revigorar em breve a economia. O premiê Wen Jinbao recentemente indicou que o governo está mais relaxado sobre estímulo adicional, diante da queda recente da inflação.
A situação dos serviços no Japão é menos negativa, e o índice subiu de 47,5 para 49,3 em agosto, mas isso vem no rastro de 16 meses de baixa. O PMI do setor na Índia também subiu ligeiramente, mas junto com o de manufaturas aponta um crescimento modesto do Produto Interno Bruto (PIB).
No caso da Rússia, houve melhora após resultado desapontador em julho, mas a Markit nota que a economia do país continua em marcha lenta.
Nesse cenário, as atenções estão voltadas para os bancos centrais. Mario Draghi, o presidente do BCE, deverá detalhar o plano de mais aquisições de títulos públicos, para ajudar países em dificuldade e preservar a zona do euro. Analistas se dividem sobre a possibilidade de novo anúncio hoje de corte de juro para apoiar a economia.
Nos EUA, certos analistas consideram como altamente provável que o Fed lançará a terceira rodada de compra de ativos na semana que vem, diante da persistência do desemprego no país. Uma possibilidade é de o Fed anunciar compra de pelo menos US$ 500 bilhoes de ativos, ou deixar um programa aberto e fazer compras de US$ 50 bilhões por mês até o momento em que julgar já ter havido suficiente progresso na redução da taxa de desemprego.
“Independentemente do que o Fed fizer, o crescimento provavelmente continuará sem brilho se não houver declínio no nível de desemprego”, avalia Paul Ashworth, da Capital Economics.
Por: Assis Moreira
Fonte: Valor Econômico







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