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Percalços de Steinbruch no BNDES

O plano do empresário Benjamin Steinbruch para ter o BNDES como parceiro na aquisição dos ativos da ThyssenKrupp no Brasil e EUA enfrenta alguns obstáculos, além de um litígio na Justiça, conforme apurou o Valor. Um dos principais pontos que o empresário terá que resolver é tornar seu plano de negócio para adquirir as siderúrgicas CSA e Calvert Steel do Alabama, mais atrativo ao banco. Até agora, as conversas avançaram pouco no prédio da Avenida Chile, no Centro do Rio.

O fato de Steinbruch ter retirado do desenho da operação a mina Casa de Pedra, um dos ativos mais valiosos de seu portfólio, que seria um bom atrativo na negociação, não agradou o BNDES. O plano da CSN prevê criar uma empresa com seus ativos siderúrgicos, que se fundiriam com os da ThyssenKrupp, formando uma nova companhia de aço, na qual a BNDESPar seria sócio relevante.

A dúvida do banco sobre sua participação societária nessa empresa refere-se a sua rentabilidade futura, pois seria focada só na produção de aço, um setor que hoje está bastante depreciado devido ao excesso de oferta global.

A operação tal qual foi apresentada é avaliada como ruim para o BNDES, já chamuscado por algumas operações mal-sucedidas na área de agronegócio, como o caso do Frigorífico Independência, e outras que não chegaram a se concretizar, como a do Pão de Açúcar e Carrefour.

Para compor o plano de Steinbruch e viabilizar a aquisição dos dois ativos de aço, o BNDES teria que aportar um valor significativo (podendo atingir a R$ 4 bilhões), segundo fontes próximas das negociações. A CSN fez oferta da ordem de US$ 3,8 bilhões (quase R$ 8 bilhões). A entrada do banco é vista pelo mercado como fundamental para evitar o comprometimento do perfil financeiro da CSN, que tinha dívida líquida de R$ 30 bilhões no fim de setembro.

O problema é que Steinbruch enfrenta mais uma barreira dentro do banco, o que fez a CSN a não obter empréstimos do BNDES há quase sete anos. Uma pendência jurídica azedou a relação com o empresário. Hoje, há uma resistência forte a essa operação no corpo técnico da instituição. O processo aberto pela Vicunha Siderurgia, controladora da CSN, contra a BNDESPar, em 2006, na 6ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, pode ir parar no Supremo Tribunal Federal (STF).

O Valor apurou que a BNDESPar apresentou recurso extraordinário ao STF no fim de 2012 por não estar satisfeita com o encaminhamento dado à ação pelo Supremo Tribunal de Justiça (STJ) ao seu recurso especial. O acordão deu provimento parcial ao pedido sobre o interesse da União no processo.

A Vicunha, da família Steinbruch, entrou em litígio com o banco por causa da conversão pela BNDESPar de debêntures de sua emissão em um lote de 1,4 milhão de ações da CSN. Estas debêntures conversíveis estavam atreladas ao acordo firmado entre a empresa e o banco durante o processo de descruzamento societário com a Vale.

Em abril de 2008, a juíza Simone Lopes da Costa, da 6ª Vara, determinou à BNDESPar restituir as ações em excesso à Vicunha, da conversão feita em 19 de abril de 2005, mais o valor correspondente a dividendos e juros pagos ao banco. A BNDESPar perdeu na primeira instância, mas decidiu recorrer ao STJ e parece ter intenção de ir até última instância.

A CSN caso não tenha um Plano B, terá que correr contra o tempo para convencer o BNDES a entrar em uma transação que é considerada em alguns escalões do banco como “um mal investimento”. A data para entrega das ofertas finais de compra dos dois ativos da Thyssen expira no próximo dia 15. Na disputa pela CSA estão também os argentinos da Ternium . Concorrem pela laminadora do Alabama o consórcio ArcelorMittal – Nippon Steel e a americana Nucor.

Fonte: Valor Econômico

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