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EUA investigam se cartéis lavaram dinheiro no HSBC

O Departamento de Justiça dos EUA e o banco britânico HSBC Holdings PLC aceleram negociações para um acordo que encerraria uma investigação criminal sobre lavagem de dinheiro para cartéis de tráfico de drogas e outros, dizem pessoas a par do assunto.

Um acordo para encerrar a investigação está próximo e pode ser anunciado já nas próximas semanas, segundo essas fontes. Entre as alegações, o foco dos promotores do Departamento de Justiça tem sido saber se funcionários do banco foram cúmplices na lavagem dos cartéis de drogas, permitindo que dinheiro suspeito fosse escondido no fluxo de grandes quantias de dinheiro entre EUA e México.

Executivos do HSBC irão ao Senado americano amanhã para discutir os resultados de uma investigação de um ano ligada a algumas dessas acusações. A investigação se concentra em práticas sujeitas a pouca regulamentação que permitiram que unidades do HSBC em todo o mundo fossem utilizadas para o potencial financiamento de terrorismo e por cartéis de drogas para lavar fundos ilícitos. O diretor-presidente do HSBC, Stuart Gulliver, disse a funcionários nos últimos dias que o banco reconhece que cometeu erros no passado, acrescentando que “não fomos capazes de detectar e lidar com [um comportamento] inaceitável”.

O HSBC não quis comentar sobre a investigação do Departamento e do Senado. O banco já havia declarado que está “participando de negociações com funcionários do governo americano [incluindo o Departamento de Justiça] sobre uma série de questões regulamentares e de adequação às regras. O foco das investigações oficiais e dos pedidos de informação é confidencial. Em todo caso, estamos cooperando.”

Alisa Finelli, uma porta-voz do Departamento de Justiça, recusou-se a comentar sobre a investigação em curso. O departamento tem uma investigação separada que tenta detectar se o HSBC ajudou clientes americanos a evadir impostos, segundo pessoas familiarizadas com as investigações.

Executivos do HSBC tinham a esperança de alcançar uma acordo que resolveria tanto a investigação de evasão fiscal como a de lavagem de dinheiro. Mas isso não é provável agora porque qualquer acordo sobre a investigação de evasão fiscal seria complicada pelas negociações do governo americano com autoridades suíças sobre as exigências dos EUA de ter acesso à informação de clientes.

Gulliver enviou um memorando aos funcionários na semana passada que representou a admissão mais explícita da cúpula administrativa de falhas internas no banco. É um sinal de que as conversações estão próximas de uma resolução, segundo as fontes.

Executivos do HSBC têm enfatizado nas discussões com investigadores americanos que têm feito esforços não só para melhorar seus controles internos, mas também para remover qualquer pessoa associada aos problemas do passado, disseram as fontes.

O esforço do banco britânico para chegar a um acordo sobre o caso ocorre em meio a um turbilhão de escândalos bancários globais e um crescente sentimento negativo em relação a instituições financeiras em ano eleitoral nos EUA. Nas últimas semanas, o também britânico Barclays PLC pagou multa e entrou em um acordo para não ser processado pelo Departamento de Justiça, admitindo que seus empregados manipularam a Libor, uma taxa de juros usada mundialmente como referência. O americano J.P. Morgan Chase também está no centro de uma investigação relacionada com prejuízos de negociações malsucedidas que já alcançam US$ 5,8 bilhões.

Os problemas do HSBC com controles financeiros frouxos vieram à tona em 2010, quando o Escritório do Controlador da Moeda dos EUA (OCC, na sigla em inglês) emitiu um ultimato citando “deficiências relacionadas a relatórios de atividades suspeitas, ao monitoramento de compras de grandes quantias de dinheiro e transferências internacionais de fundos, à vigilância da clientela em suas filiais estrangeiras e à avaliação de risco em relação a pessoas politicamente expostas e seus associados”.

Mesmo antes do ultimato do OCC, os EUA pediam aos bancos que monitorassem de perto as transações que envolvessem grandes quantias de dinheiro vivo no México e, particularmente, as transações com casas de câmbio. Uma investigação feita por agentes do departamento antidrogas sobre as operações em casas de câmbio levou a acordo de US$ 160 milhões entre o Wachovia Bank, agora parte da Wells Fargo & Co., e o Departamento de Justiça em 2010. Pouco depois, os agentes voltaram sua atenção ao HSBC, segundo pessoas familiarizadas com a investigação.

Agentes entregaram fotos de armazéns onde dinheiro vivo era depositado, segundo essas pessoas, o que os promotores dizem indicar um alto volume de dinheiro que deveria ter levantado sinais de alerta, dado o tamanho das operações do HSBC no México. Em discussões com o Departamento de Justiça, executivos do banco reconheceram falhas, mas observaram que o banco já teve negócios legítimos para mover grandes quantias de dinheiro para clientes, mas deixou de trabalhar nessa área.

No depoimento ao Senado, o HSBC deve frisar como o banco virou a página sobre os problemas do passado, inclusive ao demitir executivos que supervisionavam unidades problemáticas. Gulliver, logo depois de assumir posto de diretor-presidente em 2011, anunciou esforços para reforçar os programas do banco contra a lavagem de dinheiro. Nos últimos meses, o banco contratou como diretor jurídico Stuart Levey, que antes trabalhava no Tesouro dos EUA, onde liderou a unidade de inteligência financeira, com foco no rastreamento de financiamentos do terrorismo e lavagem de dinheiro.

Por: Evan Perez
Fonte: Valor Econômico 

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